Anti-soneto da destruição

Thiago Britto
Nov 5 · 1 min read

Janeiramos pasmos, relutantes de angústia
Fevereiramos laranjas de vergonha alheia
Marçamos com homenagens à um período nefasto
Abrilamos vendo a educação como vilã

Maiamos com protesto e luta, nossa semente
Junhamos boiando em agrotóxico, doentes
Julhamos chorando e tossindo fumaça Amazônica
Agostamos pedindo desculpas ao mundo

Setembramos com mar negro de óleo e olhos marejados
Outubramos autoritarismo e desordem geral
Novembramos crime, crise e hipocrisia

Ainda falta Dezembrarmos, mas por favor
De golden shower à AI-5, não sei como sobrevivemos
Urge acabar algo, seja o ano ou o pesadelo

Thiago Britto

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escrevo algumas coisas, publico textículos e largo poemas pelo caminho feito bombas de efeito moral