É tão estranho. Silêncio presente ausência que sinto. Como há no espaço vazio se aqui não se existe. Do que não há como pesa o peso que sinto. Se pesar fosse leve e não houvesse há que sinto. “Ausência leve ao menos assim se”. Tudo poderia fazer algum sentido. Mas tempo não pede passagem e no ditado está escrito (…). Se voa ou se fica, coisa certa, do que vejo, do que sinto. Tempo, no silêncio presente ausência que sinto.
Envelheço a cada milésimo da esquerda pra direita ou vise e versa, como desgasta eu gosto antigo que por ti insisto. O que é doce ainda é, senão não seria doce. Mas o que tinha gosto particular parece ter perdido por razão do que não sei.
Estranho o tamanho do meu eu.
(…)
Como consigo caber ali num coração apertado onde se quer
Realmente há espaço pra morar, às vezes, é assim que somos
Algo amassado o suficiente pra caber onde não cabemos
(…)
Dizem que tudo passa ao passo que nada permanece. E se é assim, que seja a vida também um passo. Que não há de permanecer. O dia fúnebre chega a todo passo. Com ou sem aqueles que compassam com a gente. É assim, muitas vezes numa inércia que acreditamos. Haver fundamento para procurar razões que justifique. Ou que acalme o que somos ou o que não somos. Às vezes eu apenas quero, não sei exatamente o quê. Nem me esforço para descobrir. Já me basta sentir todo peso que carrego de uma vida pena. Assim sigo da mesma forma que para aquele o dia fúnebre chegará. Por um suspiro de quem já é.
E assim basta morrer.