A ARTE DE PENSAR

A arte de pensar não é para nós. Somos bastante preguiçosos e cremos ser pensar o mesmo que ler: pois na leitura emitimos/recebemos pensamentos. Contudo, é, como aponta o título uma arte.

Pensar é uma arte conjugada. Ela opera conjuntamente com as habilidades/inteligências (múltiplas) de saber-se ver, perceber, conceber e, então, pensar. Isto é, um função cognitiva, do pensamento racional, não funciona adequadamente sem as outras: para saber pensar é preciso saber ver, perceber, conceber.

Mas cada um desses termos necessárias a pensar-se, carecem tem em si mesmos. Isto é, para ver, temos algum fator inibidor, seja anatômico ou intelectivo, a qual irá diminuir a potência de agir dessa mesma faculdade, habilidade ou capacidade; e este raciocínio é valido para o perceber, conceber e pensar. Portanto, cada um dos termos tem suas próprias limitações — cegueiras.

No entanto, poder-se-á perguntar: para quer saber pensar?, enquanto pensamento autocrítico. A necessidade de saber pensar estar em encarar/viver numa sociedade pluralista/complexa, no qual os fenômenos são inexatos e incertos. Ou seja, os indivíduos necessitam cada vez mais de serem capazes de ver de modo multidimensional, ou então, mais precisamente de modo poliocular.

Isto se dificulta na medida em que não conhecemos as coisas em si para além de nossa capacidade de apreender as categorias do objeto, mas aquilo que fazemos, por razões anatômicas, inclusive, é traduzir no interior do organismo aquilo que se sucede no exterior, ou meio ambiente. — Princípio básico para a condição do conhecimento.

Entramos um binarismo positivo: o pensamento simplificador contra o complexo.

O pensamento simplificador irá sempre ocultar quais os limites e perspectivas cegas para conhecer-se, portanto, pensar; enquanto o pensamento complexo está atento a isto: ou seja, é mais verdadeiro honesto pois isenta-se da complexidade imposta pelo próprio pensamento.

Neste sentido, o pensamento complexo é o bom e o necessário, pois ele admite a incerteza e ignorância do homo sapiens — homem sapiente, ou sábio.

Mais necessário é isto uma vez que o próprio pensamento comporta a possiblidade da ocultação, por meios racionais, de suas verdades, pois o pensamento racional pode ser facilmente falsificado: é aquilo que se sucede na distinção entre racionalidade e racionalização.

A racionalidade buscas as determinações do objeto, enquanto a racionalização — grosso modo de dizer — tenta imputar no objeto os atributos do sujeito.

Neste sentido, as vezes, um indivíduo menos aptos a distinguir a verdade do erro, pode ser mais apto a fazê-lo na medida em que visa o objeto inocentemente: isto é, com suas faculdades em busca da pura apreensão/compreensão daquilo que está diante dos olhos, aos quais pode ser mais verdadeiro que passar aos olhos após sucessivas abstrações falsificadoras daquela informação/ideia.

Aquilo a qual se está tentando dizer é: o espírito crítico pode também conduzir a ilusão na medida em que não critica a si mesmo. Isto é, ele pode por em dúvida conhecimento aplicáveis e óbvios, ou testemunhais, como costuma fazer entidades do poder político para abafar suas contradições (erros).

Tudo isto, serve apenas para sinalizar — sinalizar! — que a arte de pensar é complexo, ou difícil. Ela indica a necessidade de permanente consciência sobre os problemas dos limites do próprio pensamento racionalizado. Além de exigir atenção as inerentes cegueiras do pensamento, degenerescência, fossilização, delírios, mistificação aos quais surgem do próprio exercícios do pensamento.

Nossos problemas e soluções (ou salvações) residem no pensamento. Segue, por conseguinte, que o mesmo deve ser uma tarefa permanente de autorreflexão sobre suas próprias condições de existência e permanência, além de saúde, para não ter-se pensamento doentes, ou inadequadamente trabalhados.

*Referencia: Para Sair do Século XX, Edgar Morin.

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