AFORISMAS — MITOLOGIA, IMONOLOGIA E ERRO

1) Errar não é somente humano, mas animal — característica de todo ser orgânico, cuja falar incorre na possibilidade de aniquilamento.

2) O homem está ainda na pré-história do conhecimento de sua próprio espírito — ou seja, desconhece as regras e condições de existência de sua consciência discriminativa.

3) A ausência completa de conhecimento sobre si mesmo e de suas faculdades cognitivas conduz o a não saber como adquirir conhecimentos concretos — a deriva navega no oceano cósmico, para citar Carl Sagan. O mundo e a consciência, apesar de já bastante revelada, constituem um mistério grandioso a qual fará perpetuar os organismo e instituições aos quais vivem disto: do misterium tremendum.

4) Os processo cognitivos, a saber, percepção, linguagem, memória, pensamento, ainda são bastante incertos e controversos para ser suficientemente autoritário, e sabendo disto o homem se ausenta da ignorância na medida em que percebe estar na pré-história de seu próprio espírito.

5) Que importa a história de nosso espírito? Ora, nossa história espiritual, nosso conhecimento do modo como o aparelho cognitivo neurocerebral interage e faz-se junto ao meio ambiente é essencial para nossa sobrevivência e felicidade, na medida em que podemos, assim, então, evitar os erros de aniquilação e, autoconscientes, mais felizes por não estarmos imersos nos erros e pecados debilitantes.

6) Nosso mundo, seja lá como seja, mais nossa vida social, dependem para existir da capacidade neolinguística, ou linguística simplesmente, a qual possibilita esta escrita. A linguagem — portanto — é mediadora do mundo, mas não é inocente pois guarda, por exemplo, diferenças de gostos e poder sócio-político. Ela participa, se não for o agente primário, do jogo social e político tanto da verdade/erro quanto vida/morte. Isto porque é através da linguagem, palavra, a qual podemos, no jogo pela sobrevivência, enganar o outro, competir, portanto, por melhores condições de vida. Ela, então, cria a mentira, a artimanha, o fingimento, a tapeação, o engodo, ou ao menos, permite a sobrevivência desses pecados — isto é, crimes aceitos contra o outro, uma vez que é comum a espécie humana fazer pré-juízos sobre o que o outro faria no lugar dele, tanto para salvar quanto para condenar.

7) O erro, portanto, como já visto é aquilo que conduz necessariamente o organismo a sua aniquilação; e, o sistema de computação, entrada, processamento e saída da informação mais proporciona erros do que acertos, mais chances de aniquilamento do que de vida, tanto para o homem quanto para a bactéria. E, no entanto, no homem um adicional de possibilidade de sobrevivência, para aquém e além do jogo sócio-político entre verdade e erro se permite é através dos mitos.

8) As diferenças tipológicas entre os tipos de homens dentro do corpo da espécie permite então o aparecimento de um dispositivo de mediação a qual faz-nos escapar do perigo do erro iminente e consiste, por exemplo, na salvação cristã, no qual Jesus, o Cristo, morreu na Cruz, por nossos pecados, isto é, erros. — Em outros termos, o mito pode ser/estar dentro de um jogo sócio-político, essencial a nossa sobrevivência, no qual não é medido, pautado, regulado, pela questão da verdade/erro, porque um mito, em princípio, é está dentro do jogo das formas ou modos de vida mas que independem do certo e erra, mas podem ser verdadeiros, falsos, errados e certos, além de mentirosos, ao mesmo tempo sem produzir no organismo qualquer forma d ruptura estrutural. Assim, o homo sapiens/demens, homem de inteligência e de paixões, podem comunicar-se, suprimir-se mutuamente pois há os mitos, sistemas imaginários/simbólicos, aos quais mediam a possibilidade das diferenças tornarem-se comuns, quando não causam retrocessos, pois o homem é um ser vivo-máquina no qual comporta a afirmação/contradições de suas verdades, isto é, tudo no homem pode inverter operacionalmente: isto é, no sentido mais fácil de compreensão, como dizem os cristão, Jesus transforma (converte a base de cálculo).

9) No homo sapiens/demens — isto é, no homem de conhecimento como no homem de sonho e embriaguez — uma nova ordem de realidade de interpõem fazendo-o participar simultaneamente do jogo da verdade e do erro, isto é, da necessidade e da carência, que consiste na capacidade humana de viver/vivenciar o mito: que, então, está indiferentemente para a verdade e para o erro. E, neste sentido, é um dispositivo de imonologização contra o meio ambiente hostil e faz valer a seguinte máxima: “errar é humano”.

10) O mito é — grosso modo — um primitivo e essencial tipo de saber-ciência do espírito criativo do homem — isto é, do seu gênio inventivo: capacidade de produzir técnicas. Através do mito, forma de imaginar simbolicamente o mundo, geralmente se apropriando e personificando forças da natureza, então mais um atributo artístico que cientifico, e, portanto, por não ser racional, não está sujeito a concepção de verdade/erro, ou valorações mais novas — recentes da história noológica. Portanto e por fim, o mito é uma ficção mitológica/ideológica a qual possui valores tanto de realidade e de verdade, a fim de fazer suportável a condição de vida do organismo, a qual estará presente na medida em que se fazem necessários.

11) O significado do mito, portanto, é: ele admite várias vertentes e se manifestas de variados modos como, por ex., narrativas, fábulas, ideias-forças. Ou seja, o mito não cai na categoria de verdadeiro/falso, apesar de imaginário e ideal, não pode ser reduzido a categoria de ilusão, erro, ou mentira. — Em outras palavras o mito é um mecanismo de suporte as necessidades humanas (sistema de contenção das falhas). Ou seja, do ponto de vista lógico-racional pode ser verdadeiro, falso, ilusório e mentiroso, ao mesmo tempo.

12) Em suma, o organismo está em interação com o ambiente num jogo sócio-político no qual faz parte o jogo da verdade e erros cometidos pelos mesmos organismo que são decisivos a sobrevivência individual mas, no entanto, isto não se aplica a realidade mitológica uma vez que os mitos podem ser contraditórios entre si sem danificar a operacionalidade do organismo — ser orgânico. O que torna erros como considerar a Bíblia um livro literal perfeitamente válido (embora está última afirmação não seja própria deste conjunto de texto).