DIREITA, ESQUERDA E O INTELECTUAL

Através de uma linguagem analógica muito simplista o intelectual, ou aquele que trabalha as ideias, puramente, constitui uma pequena classe social composta por vários profissionais, de muitos segmentos distinto — desde que trabalhe as ideias -; e se originam de várias classes outras, podendo convergir ou divergir da classe de origem, e se põem, como líder de manada, através da invenção — artifício técnico da razão como somente possível a eles –; e, deste modo, se situam, em analogia a outra, nos tempos míticos e antigos, como se fossem sacerdotes-magos, ou somente aqueles entre os homo sapiens aos quais possuem a verdade; e, no entanto, a partir de suspeitar da Razão e irem em direção a sensualidade, aqui e acolá, invertem de posição quanto a fonte originária do saber humano — em outras palavras, começam a perguntar a vulgata do povo sobre o que consiste a verdade, então, sobre onde estaria. Mas sua missão, diferente de muitos outros profissionais, ou das sociedades, consiste na busca da verdade e na comunicação da verdade para aqueles que não a possuem; e, então, neste sentido são aqueles entes sociais aos quais conferem sentido e finalidade as vida ordinárias — de qualquer um de nós. E, pelo que parece, o profissional mais adequado a ser efetivamente um intelectual, não é o técnico de mecânica nem o engenheiro, pois não tem por objetivo a verdade, mas o homem doente pela verdade a qual consiste no filósofo — aquele que quer ser o filho do tirano, do homem de poder, mas diferentemente não o faz por meios grosseiros e rudes mas pela retórica e persuasão. E por que situo a busca pela verdade, para além da nobreza que esta ideia possa trazer, como um patologia: porque, eis a resposta, ela quer reduzir todas as individualidades, diferenças, a uma uniformização; e, então, falo de um intelectual de direita, aprisionado a uma série de hierarquias categoriais; enquanto o intelectual de esquerda está mais para o humanismos e ideias libertárias, para a não conformação idearia do indivíduo — ou não tão conservador quanto a direita. E, por fim, o intelectual busca estar certo no jogo sócio-político da verdade/erro, mas costumeiramente erra frequentemente quanto a política — para além das posições adotadas. Neste sentido os intelectuais são relativamente míopes.