MITOLOGIA, IMONOLOGIA E ERRO

Errar não é somente humano, é animal, mas os erros de percepção, representação, computação a qual pode ter o homem são erros típicos do homem, portanto; e isto implica a impossibilidade na necessidade de traduzir-se a realidade. Isto é, a realidade primeiramente é o abstrato e precisamos do abstrato para atingir o concreto — efetivo. E, no entanto, a ideia que nos faz comunicar, interagir, com a realidade é também aquilo que mais nos impede de ter contato genuíno com ela: a realidade. Neste sentido, a palavra, ou ideologia, como as teorias, são as causas dos erros, além, pior ainda, dos delírios. Essa dificuldade de acesso a realidade decorre de estarmos no começo do estudo do espirito humano, ou de como saber como os nossos cérebros e espíritos se interagem entre si para a formação, evidentemente, daquilo que denominamos razão ou consciência discriminativa — entidade pensante. — Em outros termos, não se pesquisou ainda os sistemas de ideias e suas regras de existência e de organização. Esta questão, a questão noológica, é importante porque ela visa, ou importa, para aniquilar os erros ideológicos ou metafísicos.

Os erros ideológicos decorrem da linguagem humana. Ela permitiu o surgimento e permanência das artimanhas, fingimentos, tapeações, engodos, o desenvolvimento, em suma, das formas, oralmente ou por escrito, da mentira, o que agrava e aumenta, multiplica, renova, o problema da onipresença do erro.

O erro, portanto, como já visto é aquilo que conduz necessariamente o organismo a sua aniquilação; e, o sistema de computação, entrada, processamento e saída da informação mais proporciona erros do que acertos, mais chances de aniquilamento do que de vida, tanto para o homem quanto para a bactéria. E, no entanto, no homem um adicional de possibilidade de sobrevivência, para aquém e além do jogo sócio-político entre verdade e erro se permite é através dos mitos.

No homo sapiens/demens — isto é, no homem de conhecimento como no homem de sonho e embriaguez — uma nova ordem de realidade de interpõem fazendo-o participar simultaneamente do jogo da verdade e do erro, isto é, da necessidade e da carência, que consiste na capacidade humana de viver/vivenciar o mito: que, então, está indiferentemente para a verdade e para o erro. E, neste sentido, é um dispositivo de imonologização contra o meio ambiente hostil e faz valer a seguinte máxima: “errar é humano”.

O mito é um tipo de ciência (saber) dos espíritos, do gênio criativo, cuja principal função é imaginária/simbólica, quer na forma principalmente ideológico-abstrata da qual adquire o valor de realidade e/ou verdade. Isto é, é uma ficção mitológica/ideológica a qual possui valores tanto de realidade e de verdade, a fim de fazer suportável a condição de vida do organismo, a qual estará presente na medida em que se fazem necessários.

O significado do mito, portanto, é: ele admite várias vertentes e se manifestas de variados modos como, por ex., narrativas, fábulas, ideias-forças. Ou seja, o mito não cai na categoria de verdadeiro/falso, apesar de imaginário e ideal, não pode ser reduzido a categoria de ilusão, erro, ou mentira. — Em outras palavras o mito é um mecanismo de suporte as necessidades humanas (sistema de contenção das falhas). Ou seja, do ponto de vista lógico-racional pode ser verdadeiro, falso, ilusório e mentiroso, ao mesmo tempo.

Em suma, o organismo está em interação com o ambiente num jogo sócio-político no qual faz parte o jogo da verdade e erros cometidos pelos mesmos organismo que são decisivos a sobrevivência individual mas, no entanto, isto não se aplica a realidade mitológica uma vez que os mitos podem ser contraditórios entre si sem danificar a operacionalidade do organismo — ser orgânico. O que torna erros como considerar a Bíblia um livro literal perfeitamente válido (embora está última afirmação não seja própria deste conjunto de texto).

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