A verdade sobre a nostalgia

Nostalgia e saudade são primas distantes? Existe crise dos 25 anos? No meu caso, nunca é tarde para se achar um velho ultrapassado.

Mês que vem completo um ciclo de 25 carnavais, literalmente, afinal nasci na semana do carnaval de 1991. “Puxa, 1991, como você é novo!” É, eu ainda nem entro na balada sem documento e mal tenho barba, mas começo lentamente a sentir o peso de estar ficando velho.

Quando eu percebi que quem nasceu em 2000 já tem 16 anos e mal sabe o que é internet discada ou fax, eu acabei entrando num buraco negro de nostalgia e tenho a impressão de que nunca mais vou sair dele.

Comecei lembrando de coisas antigas que fizeram parte da minha infância, como mimeógrafo, telefone de disco, vitrola, ficha telefônica, VHS que vinha junto com o jornal e os tazos. E olha que se você for dos anos 80 pra trás, você deve achar que isso tudo nem é tão velho assim.

Aí eu parei pra assistir uns vídeos do Canal Nostalgia e pouco depois estava chorando como uma criancinha enquanto via trechos dos episódios do Chapolin e de desenhos da extinta Rede Manchete.

Nem preciso falar do que sinto quando bato o olho em um livro da coleção Vagalume ou escuto alguma música clássica dos anos 90 (alô Raça Negra!).

E o que eu refleti sobre tudo isso?

Quase nada, porque não sei se há muito o que refletir sobre a nostalgia. Não é exclusividade minha senti-la nem da minha geração. Os anos vão passando e tudo que a gente mais quer é um cobertor no sofá às 9h pra ver TV Globinho desde o começo.

Falar em crise dos 25 parece tão relevante quanto dizer “na minha época” quando você tem 12 anos. Basicamente faz eu me sentir num limbo entre a juventude e o mundo adulto. É a idade em que você ainda lembra o nome de 150 pokémons enquanto faz um freela no sábado à noite.

Pensando lá na frente, eu não queria me tornar o vovô chato que fica contando histórias da adolescência, mas vai ser inevitável. Porque eu sei que é insuportável quando eu começo a lembrar das viagens que fiz alguns anos atrás ou das peripécias da infância. Eu vou contar cada detalhe. Tentarei lembrar do nome do dono da pousada daquela viagem pra praia. E não bastasse isso, eu tenho um sério problema de memória, então vou considerar que você ainda não ouviu minha história e, mesmo sob protestos, vou contá-la pela décima vez. Ou seja, provavelmente serei o vovô de suéter que reúne os netos pra repetir a história do Natal do século passado.

Não é saudade. A nostalgia é mais a vontade de reviver o passado do que sentir falta dele.

Já dizia o sambista: saudosa maloca, maloca querida.

(Ahh, falando em Adoniran Barbosa, tenho uma história muito boa de quando meu pai…)

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