As compreensões de Celso Guimarães e Alberto Manguel sobre ler imagens

A palestra “Fotografia: conceitos transcodificados em cenas”, ministrada pelo professor-doutor Celso Guimarães e o capítulo ‘Pablo Picasso, a imagem como violência’, que compõe a obra “Lendo Imagens: uma história de amor de ódio”, de Alberto Manguel, escritor argentino, trazem conhecimentos enriquecedores sobre estudos e análises que dizem respeito a leituras das imagens.

O primeiro traz contribuições que permitem ao ouvinte um aprimoramento técnico sobre fotografias. Os estudos de Celso detalham métodos diferentes, através do olhar, para ver e perceber as imagens fotográficas, o que permite uma leitura mais crítica e técnica do objeto de análise. Já o escritor propõe uma leitura de imagem baseada na construção da mesma. Manguel discorre sobre o famoso pintor Pablo Picasso, e sua relação abusiva com Dora Maar, amante que desenvolveu problemas psicológicos por ter constantemente sua imagem ‘destruída’ por Picasso, ao desenhá-la.

Quando Manguel (p.209, 2009) escreve que “Para a maioria de nós – os espectadores comuns –, a obra de um artista não pertence apenas à vida do artista, mas também a nossas próprias vidas”, ele defende que a individualidade é a base fundamental para a Teoria de Gestalt, termo surgido para designar que o processo de compreensão deve partir do “todo” da imagem, e não de suas particularidades. É através da percepção individual de cada ser define a forma como determinada imagem será vista por ele.

Toda imagem, de fato, tem uma história por trás. Celso, durante a palestra, afirmou que essa história pode ou não ter relação com o momento ou pensamento particular de quem a produziu/registrou. A defesa dessa ideia dialoga com o que é escrito pelo argentino sobre Guernica, uma pintura de Picasso. Segundo Alberto Manguel (p.210, 2001), não se tratava da demonstração de expressão de um sentimento qualquer, e sim de como Pablo imaginava o sofrimento.

Celso Guimarães compartilhou muito em suas falas, sobre o olhar do fotógrafo ser influenciando por suas emoções durante o registro da foto, fato que é descrito por Alberto Manguel sobre Pablo Picasso, que mais transcrevia suas próprias reflexões/emoções, ao invés de seu objeto.

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