Aquele que mesmo não sendo aceito, soube amar

“Você viu a notícia do adolescente assassinado pela própria mãe?

Vi. E vi o Facebook dele. Suas publicações antigas. Percebi o quanto ele era querido pelas suas amizades. Vi suas fotos. O brilho do seu olhar. As suas legendas. A foto de quando ele era menino que ele colocou perfil no último Dia das Crianças. Vi no olhar dele a alegria que a gente enxerga no olhar de uma criança.

Observei que ele tinha o sonho de ser fotógrafo. Vi que ele publicou uma foto para registrar o. trabalho em um casamento. Li o comentário da noiva: “Obrigada, eu também adorei você. A próxima festa será você novamente como Fotógrafo.” Nó na garganta. Não vai ter próxima vez. Lembrei da música de Geraldo Vandré: “Tanta vida pra viver. Tanta vida a se acabar. Com tanto pra se fazer. Com tanto pra se salvar”. Lembrei do adolescente que um dia eu fui.

Vi uma publicação que ele compartilhou e marcou a sua mãe. “Eu amo minha mãe, não importa o que passamos, não importa o quanto brigamos, porque sei que no final, ela sempre estará lá.” Nó na garganta. De novo. Infelizmente, ela esteve lá no final. Do jeito mais macabro e inesperado. Procurei respostas. Vi a entrevista do seu tio. “A mãe não aceitava a homossexualidade dele.”

Esse trágico episódio nos deixa a lição de que devemos assumir o compromisso com a conscientização de cada pessoa ao nosso redor. Pais e mães precisam aprender a respeitar a orientação sexual e identidade de gênero de seus filhos e filhas. Guardo comigo uma frase do Avelino Mendes: “O pai que não sai do armário assina o atestado de óbito do filho”.

Olho novamente pra foto dele e imagino a sua alegria de viver. Transcrevo aqui uma das últimas publicações que ele escreveu: “Hoje não é só mais um dia, é a chance de fazer as coisas acontecerem, é a segunda chance que você pediu à vida, aproveite-a”. Hoje eu renovo o compromisso de conscientizar cada pessoa que encontro pelo meu caminho. Não sei o significado do nome Itaberlly. Pra mim o seu nome será lembrado como “aquele que mesmo não sendo aceito, soube amar.”

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