Carta aberta para Coca-Cola

Foto: Lucas Landau

Escrevo essa carta para gerar um debate sobre diversidade nas empresas que se esforçam para construir um mercado de trabalho mais justo. No dia 13 de julho o perfil do Facebook da Coca-Cola Brasil divulgou uma reportagem com o título: “Conheça o Comitê da Diversidade que criou as latinhas LGBT que viralizaram na internet”

Bastou olhar para foto da matéria para compreender a incoerência da publicação: um grupo formado apenas por homens brancos com características físicas atreladas ao padrão aceito pela nossa cultura heteronormativa.

Faltou o ponto X da questão: Diversidade. É claro que a empresa não é obrigada a contratar ninguém. Mas a partir do momento em que há uma divulgação de um setor com funcionários sobre essa pauta, surgem os questionamentos: Onde estão as mulheres lésbicas dentro do conceito da diversidade? Cadê as pessoas negras inseridas no Comitê? Existem homens afeminados, gordos ou fora do padrão imposto no grupo?

Outra pergunta se faz necessária: Existe política de inclusão para população trans no quadro de funcionários(as) da empresa? Na sopa de letras LGBT pessoas transexuais e travestis são as mais discriminadas no nosso convívio. Muitas permanecem invisíveis no nosso cotidiano porque boa parte da sociedade ainda “joga pedra na Geni”, assim como na história da canção emblemática do Chico Buarque.

Tendo em vista as raras oportunidades de emprego, cerca de 90% das pessoas trans no Brasil acabam recorrendo à prostituição como forma de sobrevivência, de acordo com uma estimativa feita pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA). Para quebrar esse ciclo de exclusões, algumas empresas estão buscando formas para inclusão dessas pessoas nos seus espaços. Outro dia li uma matéria sobre uma organização que percebeu que não chegavam currículos de pessoas trans. Quando chegavam, essas pessoas não tinham a qualificação e especialização necessárias para trabalhar. Para quebrar essa barreira, os executivos decidiram investir no Programa Jovem Aprendiz, já que é a porta de entrada da empresa e não necessita de qualificação prévia. Através dessa medida as pessoas participantes são capacitadas para serem inseridas no mercado de trabalho.

Aproveito essa oportunidade para elogiar a iniciativa do grupo de surpreender funcionários da empresa com uma latinha da Coca com Fanta Laranja dentro. A ação fez com que muitas pessoas desejassem uma latinha com a frase no rótulo: “Essa Coca-Cola é Fanta e daí?”. Bingo! Vocês conseguiram transformar uma piada preconceituosa em uma sacada genial de empoderamento.

Fico feliz em ver o respeito à diversidade nas peças da publicidade. Continuem com esse movimento de fortalecimento de que a Coca pode ser o que quiser. Fanta, Kuat ou Sprite. Que essa mensagem seja símbolo de que cada pessoa pode ser o que quiser e não há nenhum problema com isso. E que possamos assimilar essa cultura com a consciência de que por trás de um rótulo incrível possa de fato existir uma equipe realmente composta por pessoas de diferentes representatividades.

Com desejo da ampliação da diversidade,

Thiago Hanney

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