O submarino desaparecido

Atualizações de 23.11.2017 — À espera de um milagre

O submarino argentino San Juan, desaparecido no Atlântico Sul com 44 tripulantes

Mais de 12 países participam das buscas contínuas do submarino argentino que desapareceu no dia 15 de novembro. Sem nenhum sinal da embarcação há 8 dias, as buscas entram em um cenário crítico.

Os familiares dos desaparecidos vão aos poucos perdendo as esperanças. Essa história está se tornando angustiante para o mundo todo.

Saber que os 44 tripulantes podem estar agora no fundo do oceano, enclausurados, aos poucos ficando sem oxigênio, é algo bastante dramático. Mais uma tragédia marcante pode estar sendo registrada na história.

O mundo em uma só operação de resgate

Operação de salvamento não tem precedentes na história dos naufrágios

A pergunta irônica é: Como resgatar algo que foi feito justamente para não ser detectado, ainda mais, se tal objeto estiver nas profundezas do oceano? Estamos diante de um enorme desafio. Esses submarinos de propulsão Elétrica/Diese, como no caso em questão, são menores e mais difíceis de serem detectados que os submarinos nucleares.

Todo submarino tem características e desenhos próprios que favorecem a sua camuflagem. O argentino San Juan, por exemplo, foi desenvolvido para ser difícil de encontrar, uma vez que é utilizado em operações secretas de alta segurança.

Expedições levam muito tempo para achar navios naufragados em oceanos profundos, um submarino é ainda mais complicado de ser detectado pelos radares, sonares e varreduras eletromagnéticas nessas mesmas condições.


Cápsula de escape para submarino sendo inserida

É Lamentável o fato de não haver uma cápsula de fuga nesses modelos de submarino; o que seria uma forma segura de se ejetar e chegar à superfície até mesmo em ocorrências com profundidades mais elevadas. O submarino argentino transporta apenas duas balsas salva-vidas em seu exterior, boias que só podem ser lançadas em profundidades inferiores a 80 metros.

De qualquer forma, considerando que a comunicação com a embarcação foi cortada assim, definitiva e repentinamente, somos induzidos a crer que esse incidente originou-se através de fatores muito graves, como a explosão de munição pesada ou incêndio em algum dos bancos de baterias de 50 toneladas; assim, tornando muito pequena a probabilidade de haver sobreviventes e inútil a existência de qualquer mecanismo de fuga.

É improvável que tenha ocorrido apenas uma pane elétrica ou mecânica, pois, se assim fosse, haveriam ainda muitos recursos disponíveis para a tripulação sinalizar e tentar comunicar o ocorrido, tornando o resgate muito menos complexo. Se os tripulantes estivessem em boas condições, o simples ato bater contra a carcaça da embarcação para gerar ruído já seria suficiente para sensibilizar sonares apontar sua localização.


O submarino foi construído na Alemanha em 1985 e chegou ao país em 1986.

No último contato feito pela tripulação, eles estavam navegando em uma posição geográfica onde o oceano possui, aproximadamente, 1000 metros de profundidade. Se esse acidente os fizera desaparecer e submergir completamente nessas proximidades, então, ao chegar no fundo do oceano o submarino estaria a uma profundidade 750 metros superior ao valor máximo para o qual ele foi projetado, o que teria o implodido.

Ou seja, se esse submarino realmente afundou em águas profundas, ele certamente já foi esmagado pela pressão — esses submarinos militares tripulados possuem um limite relativamente pequeno de profundidade — e nesse caso, lamentavelmente, todos já estariam mortos. Ainda que a embarcação resistisse a pressão e fosse encontrada nos próximos dias, resgatá-los com vida seria improvável, para não dizer impossível, dado o pequeno nível de oxigênio e tempo que, na melhor das hipóteses, ainda restaria hoje.

O resgate do submarino russo Kursk, que passou por naufrágio semelhante em 2000, mesmo estando a apenas 100 metros de profundidade e com sua localização já definida, exigiu o tempo de alguns dias para que se viabilizasse a retirada de eventuais sobreviventes nos compartimentos da embarcação, tempo que os tripulantes infelizmente não tinham. Nesse caso não houveram sobreviventes, pois, segundo os relatos, a baixa oxigenação limitou em 48 horas o tempo de vida naquelas condições. No final da história, os mergulhadores de resgate chegaram aos corpos quase duas semanas depois do acidente (muito por causa da negligência russa, é preciso registrar).

O Brasil despachou três embarcações e duas aeronaves de patrulha. Todas as embarcações civis na zona ajudam nos trabalhos de buscas.

E como se não bastasse todas as dificuldades já apresentadas, um persistente temporal agita o mar na região de busca, provocando ondas de mais de sete metros de altura e ventos de 90 km/h, fazendo com que a área de busca seja ampliada em até 7 vezes; expansão motivada pela necessidade de considerar que todos esses fatores podem ter alterado a localização do submarino, principalmente se ele ainda estiver à deriva.


Em suma, apenas um milagre pode trazer essas pessoas do submarino argentino de volta, vivas.

Se o submarino estiver no leito oceânico, talvez seja encontrado após meses ou até mesmo anos de busca
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