Thiago Medeiros
Jul 27, 2017 · 2 min read

Londres antes das 5am é outra

A dimensão da cidade me veio quando eram quase de cinco da manhã. Eu estava em um ônibus, a caminho de casa e o sol se erguia com preguiça, mas luminoso o suficiente para espalhar luz sobre a National Gallery. Exausto depois de peregrinar com amigos de trabalho entre um pub, um cassino na Leicester Square e um Mac Donalds perto da Charing Cross Station, olhava pela janela, lutando contra o sono, rezando por um banho e temendo a ressaca de cerveja e cirgarro que viria dali a algumas horas.

A essa hora, qualquer cidade está nua de gente, com a cara lavada, sem a distração do amontoado humano circulando para cima e para baixo. É como se todos os prédios e ruas vazios fossem um pouco seus. E você pode olhar para a cidade de frente, íntimo.

Foi com esse sentimento que vi a elegância derramada de Londres enquanto o ônibus cortava uma avenida extensa naquele início de manhã. De um lado havia um paredão de prédios baixos que ora era duro na branquidão, ora era sedutor na silhueta discreta. Do outro lado da avenida o Hyde Park, uma placa verde quase retangular que funciona como um tapete na sala de estar da cidade. Lindo e vazio. Quarteirões sem carro e sem gente. Eu, Londres e um horizonte.

Londres nua, às cinco da manhã, é ainda mais grandiosa e elegante. Uma elegância viva porque é verão. Daqui a alguns meses, quando o inverno der as caras de novo, este mesmo cenário vai ser coberto por outros tons e outros significados; ainda exuberante, mas uma exuberância terrível. Até lá, se possível, recomenda-se estar com Londres quando só ela e o sol estiverem de pé. Ao menos uma vez. A Londres de antes do café da manhã tem outro rosto para mostrar e outra voz para falar, bem diferente da Londres de depois do almoço.