Quando escrevi para a 'CAUSE Magazine

Foi com uma felicidade imensa que eu recebi a missão de escrever um texto pra uma revista independente, que fomenta e acredita na mistura de trabalhos de jovens talentosos com grandes profissionais. O produto final da 5ª edição — NATURE, é, de fato, sensível, fresco, instigante, com referências diversas e bastante inspirador. Adjetivos não me faltam mesmo, ter participado dessa edição junto a tantos talentos juntos foi uma baita honra! Um obrigado especial ao Pedroluiss, pela chance de escrever para a ‘CAUSE, por acreditar, pela inspiração e, principalmente, pelos bordados maravilhosos que ilustram meu texto.

Relacionamentos in natura

Volta e meia você já se pegou pensando nos seus relacionamentos passados? É um exercício interessante-quase-que-engraçado ver o panorama geral de amores, e perceber os diferentes momentos da vida em que você se encontrava. No que acreditava. Os planos que fazia. O que idealizava. O que conectava a gente a cada um que costurou pela vida. Os platônicos. Os que eu quase criei. Os descompromissados. Os abusivos. Os que existiram só na sua cabeça. Os que exigiam demais. Os que amavam de menos. Os livres. Os de contos de fadas. Os que envolviam mais de uma pessoa. Mais de duas. Mais de três.

Relacionamentos são relacionamentos, o que muda é o acordo. É bastante comum esquecer, por vezes, que você tem o poder de moldar, expandir, comprimir da maneira que achar necessária, sem se dar conta da sua elasticidade mental e sentimental. Apesar de serem diferentes entre si, todos eles são unidos pelo mesmo fio condutor: o poder de transformação.

O que difere os seres humanos de outros animais vai além da postura ereta e da capacidade de enrubescer. Assim como a lei da sobrevivência absorvida dos ancestrais neandertais, vai além da caça. É o exercício diário de explorar opções, criar novas realidades, se expandir, construir, reconstruir, resistir, se deixar ser modificado e modificar o ambiente em que vive. Os verbos são diversos, assim como as opções de se relacionar com o homo sapiens. Faz parte da natureza humana se transformar, evoluir.

Ninguém sai de um relacionamento a mesma pessoa que entrou. Não no sentido daquela “obrigação velada” de completar o outro, deixar de ser um pouco de si ou de consertar as partes que não estão quebradas, e sim, na função de acrescentar. Seria muito romântico acreditar que todo relacionamento acrescenta. Mas ele transforma as partes nele envolvidas, para melhor ou para pior, truques da vida. É o bambolê que você rebola enquanto fizer sentido, sem pesar.

O passo mais difícil de manter esse bambolê girando é aceitar que ninguém tem controle sobre as pessoas, sobre os fatos, as ocasiões. Por maior que seja o esforço e a boa vontade, qualquer relacionamento pode simplesmente não fazer mais sentido. Seja por sorte, a falta dela ou até mesmo destino, para quem acreditar nele. É onde todos ficam na busca incessante pelo culpado e inocentado ou ficar se perguntando onde foi que eu errei? para as coisas que poderiam ter sido feitas para ser diferente. Foi o que tinha que ter sido. Deu certo enquanto deu certo.

Relacionamento, no fim das contas, é um emaranhado de fios que todos insistem em alinhar, realinhar, acumular bagagem na teoria sem querer se perder na prática. Ninguém está imune de se embaraçar no caminho. O que se pode fazer é construir o próprio movimento para transformar a si e a quem mais estiver disposto. É parar de buscar a perfeição, sem fundamentos lógicos, porque se tem uma coisa que a vida não é, é lógica.

Entender que os fios de cada relacionamento são assim, feitos de nós.