Dedicado Para Ninguém

Thiago Manzo
Aug 25, 2017 · 4 min read

Sua vida é uma obra de ficção. Comece a melhorar sua estória.

APRESENTADO COMO UMA OBRA DE FICÇÃO E DEDICADO PARA NINGUÉM

Você tenta a vida normal. Ou você morre de fome. Escolha sempre morrer de fome.

Morrer de fome no sentido empírico de não tentar ser nada daquilo que você não é. Não se ilumine numa luz que não é sua, especialmente para mostrar as piores partes de si mesmo. Seu sucesso virá sempre do fracasso em tentar agradar as pessoas que não estão nem aí para a quantidade de importância que você dá as coisas que realmente te importam. O fator mais decisivo da sua vida tem de ser a Nota de Dedicatória.

Imagine que você esteja escrevendo um livro. Um livro que representa todos os seus atos, decisões, escolhas, amores, bebedeiras, tragédias, partos, infartos, pequenas síncopes e grandes momentos. Esse livro pode ser chamado vida, mas isso é muito amplo e não temos tempo suficiente para dizer se ele será bom para você ou não. A vida é curta, mas é longa demais para ser posta numa balança onde você analisa os melhores capítulos quando você parar e sossegar. A gente vai chamar esse livro de: 5 anos.

Os 5 anos que você vive ciclicamente podem ser considerados momentos decisivos. Vamos imaginar que a cada 5 anos você coloca um objetivo à sua frente. É o tempo que você tem para se estabilizar. Não morrer na escola que você estuda. O tempo para encontrar uma carreira. O tempo de uma faculdade, em média. O tempo ideal para se apaixonar e partir seu coração. O tempo de escrever, publicar e ser lido um livro… com uma nota de dedicatória. Veja bem. Você termina uma parte da sua vida. Alguns dizem que é um capítulo esse período, mas James Joyce ensinou a todos que nossas vidas podem ser épicas mesmo sendo banais acompanhando 24 horas do dia de Leopold Bloom na obra Ulysses. A gente tá estendendo para 5 anos. Não vamos ser mesquinhos. Esses 5 anos definem o que você fez. Ele é a Balança. A balança que você pondera o que fez com a sua vida e como ela foi. É aí que está a coceira que não termina.

Ninguém vive sozinho. Por mais que tentamos, dependemos sem querer um dos outros. Precisamos sobreviver. O seu trabalho é graças ao seu patrão. Não importa quem você seja. O seu amor só existe se for retribuído. Não morrer na escola depende de você não levar um tiro. Então, qual seria sua dedicatória nesses últimos cinco anos? A quem você dedicaria?

Isso pode parecer um choque, mas por mais que você dependa aleatoriamente de algumas pessoas que talvez você dedique momentos que foram indispensáveis sem ela, entenda: Ninguém merece uma dedicatória.

Podemos argumentar que você merece. E tá tudo bem. Você talvez mereça, mas ai o seu único trabalho é acordar de manhã e sentar na empresa e fazer eles ganharem dinheiro. Não é um grande mérito. Você precisa dar valor as coisas que te definem. Só as coisas são mais importantes que os outros porque ninguém quer que você vença, de verdade.

Faça a sua parte para você. Idealize o que você quer. Dedique a sua vitória para Ninguém. Por quê só você sabe o quanto você precisa suar para estar ali. Isso não é ser egoísta. Egoísmo é quando você conta para alguém um plano e essa pessoa diz que não irá funcionar. Quantas vezes disseram que você está no caminho errado? Ou que algo não vai dar certo? Das duas, uma: Ou essa pessoa falhou e quer ver você falhar também. Ou ela têm medo que você dê certo. Isso se aplica a pais, amigos, professores, o dono da loja de armas e o primeiro chefe do Charles Bukowski.

Aquela frase lá em cima dessa redação é a frase do primeiro livro do Bukowski. Ele já havia sacado qual era a regra do jogo. Aquela frase é do romance que é autobiográfico. Ele diz que é apresentado como um trabalho de ficção porque a nossa vida nada mais é que uma série de interpretações teatrais com protagonistas e antagonistas. Que as regras do jogo são essas.

Ele já tinha sacado e por mais que digam que ele era um bêbado. Um fanfarrão. Um cara que era um vagabundo. Ele vendeu 3 milhões de cópias de livros até sua morte em 1994. Uma vida dedicada á ninguém. Curiosamente, esse é o último parágrafo do primeiro romance dele…

“de manhã ainda era manhã e eu ainda estava vivo. talvez eu escreva um romance, refleti. então o escrevi.”

Então, eu o escrevi.

Simples.

Esse texto é dedicado para ninguém.

)

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade