O Pior Jogador do Mundo

Thiago Manzo
Aug 23, 2017 · 3 min read

Uma fábula de sobrevivência

Eu sou o pior jogador de pôquer que existe. Não porque não sei blefar. Não é por isso. É porque eu sou honesto demais. Eu sou O Croupier da menor e maior cidade do mundo, Reno. É uma história antiga de Casino: Em Reno existia esse Croupier, que era considerado o melhor croupier que já existiu, ele mesmo sabia que ele era bom no que ele fazia, ele dizia que era tudo o que ele sempre quis fazer. Pessoalmente, ninguém acorda um dia dealer de cartas. Esse cara deve ter tido tantos subempregos, que eram tão subempregos que fizeram desse subemprego, um emprego de verdade. E ele se sentia orgulhoso com isso.

O cara era bom no que fazia, bom demais porque ele tinha uma qualidade especial. Ele era honesto. A casa sabia disso. Os clientes habituais sabiam disso. Ele sabia disso. E isso fazia com que todos quisessem jogar na mesa dele por haver um jogo “limpo.” A casa não se impunha para mudar nada disso porque ele era o melhor. Nem mesmo substituiu a habilidade dele em embaralhar cartas e distribuir por embaralhamento digital. Todo Casino hoje em dia tem uma máquina que fica do lado do Croupier. Um dia, souberem que um jogador que era considerado o melhor jogador ia para o Casino. E que provavelmente ia sentar-se à mesa do nosso Croupier honesto. Acontece que esse jogador era ótimo em contar cartas, e, o Croupier dava cartas no Black Jack, o objetivo do Black Jack é você acertar o número 21 usando as cartas de um baralho. Então, você só precisava ser bom de matemática e esse jogador era um ótimo contador de cartas. Ele contava rápido como ninguém.

E ele veio ao Casino e sentou-se à mesa do Croupier. Começou a jogar e começou a ganhar. E continuou ganhando. E não parou de ganhar. Ganhou tanto que retirou 1/10 do valor de jogo da casa. No fim do jogo, o jogador se levanta e diz pro Croupier, “Muito obrigado pela noite. Você é o melhor Croupier que já joguei.” O Croupier agradeceu e o jogador foi embora. Mas, como todo casino, esse também era comandado pela máfia, e eles colocaram uma arma na cabeça do Croupier e interrogou ele dizendo que ‘ele tinha ajudado o cara! Vocês estão mancomunados. ’ E o Croupier negando tudo disse, ‘Eu fui honesto e vocês sabem disso. Fazem 5 ou 6 anos que trabalho aqui. O que ia mudar? Se vocês querem me matar, me matem, mas saibam disso: talvez a minha honestidade não seja a sua honestidade, mas eu estou sendo sincero para mim mesmo e eu sei que não estou mentindo. ’ E ele tomou um tiro na cabeça. Bom, era a máfia. O que você esperava? E não saberíamos também se era verdade ou não o que ele disse. Até que…

Alguns anos depois aquele mesmo jogador, agora aposentado, passou pelo casino e conversando com um dos gerentes perguntou sobre o Dealer. E, o gerente lhe disse que ele tinha sido demitido. Eis que o jogador responde, ‘ Poxa. Que merda. Você sabe… Ele era tão bom e tão honesto, que aquela foi a única noite que eu joguei sem roubar.’

O Casino, depois desse evento, nomeou umas das salas com o nome do Croupier. E isso me faz pensar em tanta coisa. Na nossa honestidade e na percepção do outro. Nós não estamos mentindo para os outros, nós estamos trabalhando com pontos diferentes de honestidades. E, basta você entender isso e aceitar.

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Thiago Manzo

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Escritos para Colunas e Cronicas.

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