Bernardinho e a vitória sobre o Brasil

Bernardinho deveria dar palestras em todas as escolas do país, ajudar empresas, aconselhar políticos. Se fizerem uma estátua dele, comprarei para a minha casa. Não porque ele ganhou 4 medalhas, ou vários títulos mundiais, ou 2 títulos olímpicos. Não. Ele deveria divulgar ao Brasil inteiro o que ele provavelmente diz rotineiramente a seus jogadores: a circunstância não o define. Repetindo: a circunstância NÃO O DEFINE.


O maior problema do esporte nacional não é a falta de investimento, não é a corrupção nos esportes, não é a falta de apoio, a cultura predominantemente futebolística. O maior problema do esporte nacional, que o impede de vencer com muito mais frequência, é a covardia diante de circunstâncias adversas. Aquele coitadismo que acredita que para vencer no esporte (e na vida) é preciso que o universo conspire a nosso favor, as circunstâncias nos favoreçam. Não percebem que é exatamente o contrário: para ser campeão em qualquer esporte (ainda mais no tênis e no vôlei), é preciso a firmeza mental de estar o tempo inteiro avaliando a si mesmo e aos adversários. Observando onde seu oponente está lhe vencendo, corrigir esses erros e destruir seu adversário após isso.

O brasileiro, quando o oponente é duro e está lhe maltratando, é como Thiago Silva nos pênaltis contra o Chile na Copa de 2014: ele literalmente senta e chora e amaldiçoa sabe-se lá quem por não ter permitido que esse pobre coitadinho fosse campeão. E aí, não tendo a humildade (e maturidade) de assumir a responsabilidade por seus erros culpa qualquer coisa: a falta de incentivo, as vaias da torcida, o corte da grama, o corte de cabelo do juiz, etc. Se parasse de frescura (já doeu nos mais sensíveis), e olhasse onde errou para ter perdido, corrigiria seus erros e na próxima venceria. Recusando-se a fazer isso, entramos no ciclo perpétuo do futebol feminino que nunca faz uma auto-avaliação e sempre perde nas Olimpíadas. Será que a única coisa a corrigir é ter mais gente dizendo que as mulheres merecem tanto apoio como os homens?

Bernardinho, indo no oposto de tudo que vemos no esporte brasileiro, recusa-se a se resignar ante situações adversas. Apenas olha o material humano que possui, potencializa as virtudes, corrige defeitos e estuda obcecadamente seus adversários, em busca de frestas para abrir buracos. Foi assim que quase venceu uma Rússia muitíssimo superior ao Brasil em 2012, foi assim que venceu não tendo a melhor seleção em 2016. As circunstâncias estão aí para serem contornadas, não sentar e lamentar por elas.