O Oasis dominou o rock nos anos 1990. E o filme “Supersonic” revive esse período

Thiago Ney
Nov 8, 2016 · 3 min read

O documentário “Supersonic” começa e termina com cenas dos históricos shows do Oasis em Knebworth, em agosto de 1996. A banda tocou para 125 mil pessoas em cada um dos dois dias — eles poderiam ter feito uma temporada, já que 2,5 milhões de pessoas se cadastraram para tentar comprar ingresso.

Não é à toa que Knebworth ganha tamanho destaque em “Supersonic”: um ano depois, o Oasis lançaria “Be Here Now”, que tornou-se o disco que vendeu mais rapidamente na história do Reino Unido — e que, pouco depois, simbolizaria o declínio desta que foi a maior e mais importante banda entre 1994 e 1997.

Em cartaz nos cinemas do exterior, “Supersonic” mostra como Liam e Noel Gallagher, irmãos que, depois de o pai violento sair de casa, foram criados pela mãe em um bairro de classe média-baixa em Manchester e, sem nenhum estudo técnico de música, montaram uma banda que em apenas três anos tornou-se gigantesca.

O documentário para em Knebworth. Não há uma palavra ou imagem sobre os cinco discos que o grupo gravou depois de “Definitely Maybe” (1994) e “Morning Glory” (1995); nada sobre a separação, em 2009. “Supersonic” mostra a banda no auge, dona do mundo.

E, para ganhar o mundo, eles não precisaram criar músicas originais nem ser ótimos instrumentistas. Noel era um excelente letrista e Liam, um vocalista que tomava conta do palco. Juntos, eram uma força incontrolável, jorravam arrogância em entrevistas e protagonizavam brigas públicas que minavam a relação entre os dois e funcionavam sem querer como estratégia marqueteira.

“O Oasis era como uma Ferrari. Linda, ótima para dirigir, mas que de vez em quando foge do controle.” Assim Liam Gallagher define a banda no documentário. O diretor, Mat Whitecross, entrevistou Liam e Noel, separadamente. Além deles, há depoimentos de outros ex-integrantes da banda, da mãe, Peggy Gallagher, e de gente que estava no círculo íntimo do grupo.

“Supersonic” registra momentos históricos do Oasis, como um dos primeiros shows nos EUA, na lendária Whisky a Go Go, em Los Angeles. O show foi um desastre: eles cheiraram um caminhão de cristal meth achando que era cocaína, passaram dias acordados e, para completar, alguém trocou as faixas de ordem do setlist e cada um tocava uma música diferente. Liam jogou um pandeiro em Noel, que no dia seguinte largou tudo dizendo que iria voltar para a Inglaterra — foi encontrado dias depois em San Francisco.

Ou, ainda, imagens dos irmãos quando crianças e, ainda, do show da banda em Glasgow em 1993 que foi visto por Alan McGee, do selo Creation, e que, então, fez questão de assinar um contrato com o grupo. Eles só fizeram o show porque uma banda amiga, Sister Lovers, estava no line-up e convidou os Gallaghers para tocar na noite.

Se há uma falha no filme, é a de não contextualizar o entorno da ascensão do Oasis: não há nada sobre a briga com o Blur, nada sobre a atmosfera otimista e criativa do Reino Unido à época (nas artes, com Damien Hirst e Tracey Emin, na literatura, com Nick Hornby e Irvine Welsh, no futebol, com a Inglaterra sediando a Euro 1996, e mesmo na política, com a chegada de Tony Blair e do novo Partido Trabalhista). Em “Supersonic”, existe apenas o Oasis.

É uma insolência que combina com a banda em si. Para Noel e Liam, o Oasis era um presente para o mundo, e deveria ser recebido como tal. Achavam que a banda iria durar para sempre, e ficaria para sempre no topo. Tanto que, além dos dois primeiros e impecáveis discos, lançaram um sem-número de faixas apenas como singles ou lados B de single: “Whatever”, “Rockin’ Chair”, “Half the World Away”, “Acquiesce”, “Round are Way”, “Fade Away”.

Para alguém como eu, que tinha 20 e poucos anos e estava na ressaca do fim do Nirvana, o Oasis era A banda que importava naquele breve período dos anos 1990. Durou pouco, mas quantas bandas podem se orgulhar de ter dominado o rock por três anos?

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