Cinco Fatos Sobre Calvino

Neste breve texto, gostaria de elencar cinco fatos sobre o proeminente reformador de Genebra, João Calvino. Muitos se dizem calvinistas, mas nem todos conhecem a vida deste notável homem. Procurei tratar das coisas que considero mais curiosas acerca de Calvino, e espero que, de certa forma, estes fatos agucem os leitores a irem atrás de mais informações e se deslumbrarem com a sua a vida piedosa.

INSTITUTAS DE BOLSO

O francês Jean Cauvin, ficou conhecido pela latinização de seu nome: Calvino. Sua obra mais aclamada recebeu o título de “Institutas da religião Cristã”. Instituta significa instrução, e sua primeira edição ficou pronta em 1536, escrita toda em latim. Seu autor tinha apenas 26 anos de idade e dedicou a obra ao rei Francisco I. Sua intenção era escrever e divulgar um material que servisse para explicar de forma básica as doutrinas essenciais do cristianismo. Por isso, a primeira edição das Institutas não se compara ao denso volume que vemos hoje em dia. A edição que temos é a de 1559, revisada e ampliada. A edição de 1536 era um pequeno livro que podia ser carregado no bolso. A intenção de Calvino era fazer com que seu escrito trafegasse secretamente, e assim, contribuir para a reforma religiosa na França.

SR. PREDESTINAÇÃO?

Muitos vão se admirar ao saber que a doutrina da predestinação não foi o grande foco dos escritos de Calvino. Tendo como referencial de seu pensamento a edição final das Institutas, terminada em 1559, vemos que embora a doutrina seja de suma importância para o segmento reformado, ela não foi o ensino que mais demandou tempo do reformador de Genebra. Das 1521 páginas do seu livro, a doutrina da eleição aparece primeiramente na página 920 e não toma muito espaço da obra. Apenas em 67 páginas Calvino expõe a predestinação, o que rende um percentual menor que 5%.

UM ESTANHO NO NINHO

Diferente do que o senso comum partilha, Calvino não foi um ditador em Genebra. Seu poder na cidade era muito delimitado, pois, como estrangeiro, ele não possuía os direitos de um cidadão (votar ou assumir cargo público). O jeito foi usar de sua influência como pastor, o que nem sempre lhe rendeu bons frutos. Calvino, juntamente com Farel, gozaram de impopularidade durante alguns penosos anos. Estabelecido na cidade em 1536 e em menos de dois anos expulso dela. Ele retorna em 1541, após o conselho da cidade lhe escrever para que terminasse a tarefa de reformar a igreja. Calvino retorna, faz algumas exigências que lhe são atendidas, no que diz respeito a doutrina eclesiástica, mas continua sofrendo com uma ala xenofóbica que não aceitava muito bem a presença de franceses. Havia pela cidade, cartazes com dizeres rudes e de baixo calão, todos contra Calvino. Na ala dos libertinos, tinha quem se prestasse ao papel de tentar abafar suas pregações tossindo propositadamente e fazendo barulhos com os assentos. Logo, a falsa acusação da morte de Serveto não pode ser computada como partindo de uma ordem direta de Calvino.

O MARIDO DA VIÚVA

Quando o expulsaram de Genebra, junto com seu amigo Farel, Calvino viveu dias de refrigério em Estrasburgo, cidade que sempre desejou estar desde que saiu em exílio de sua terra natal. Foi lá, em Estrasburgo, cidade em que Matin Bucer era o líder da reforma, que Calvino se casou com Idelette de Bure. Antes dela, outras três candidatas não vingaram. Mas em junho de 1540, Calvino e Idelette contraem matrimônio. Ela era viúva de um anabatista chamado Jean Stordeur. Junto com a esposa vieram dois enteados. Calvino e Idellete ainda teriam um filho, mas que morreu bebê, tendo apenas duas semanas de vida. O casamento durou apenas 9 anos, sendo findado com a morte de Idelette. Agora era Calvino que estava na condição de viúvo. Ele sofreu bastante a perda de sua amada esposa e expressou tal sofrimento em cartas enviadas a amigos.

SAÚDE FRÁGIL

Todas os retratos de Calvino mostram um sujeito magro de aspecto pouco vivaz, diferente, por exemplo, das figuras de um Lutero mais rechonchudo e com expressões faciais e corporais mais enérgicas. Penso que os retratos fazem jus a um homem debilitado de saúde, que morreu aos 55 anos. Calvino passou por diversos problemas a partir de 1555. Segundo relato do próprio, ele sofria com dores de arritmia, hemorroidas, problemas nas articulações (gota), úlceras, inflamação nos rins e muitos cálculos. 1564 foi seu ano derradeiro, depois de uma década de muita dor e sofrimento, veio a falecer no dia 27 de maio, acamado e definhado. Um de seus pedidos foi ser sepultado em um sepulcro anônimo, para que sua lápide não se tornasse local de peregrinação ou seus restos mortais fossem tomados como sendo uma relíquia. Seu desejo foi atendido, e assim, até em sua morte, Calvino nos ensina um dos lemas mais importantes da Reforma: Soli Deo Gloria (só a Deus seja dada glória).


P.S. Todos os fatos foram extraídos do excelente livro A Chama Inextinguível: Descobrindo o cerne da Reforma.