Ser Mãe é Uma Benção

“Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe. Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Disso tenho plena certeza”.
Salmos 139:13–14.

Introdução

Dia das Mães, data designada para homenagear todas aquelas que com dedicação e esmero se empenham na tarefa de criar e educar os filhos. Realmente, boas mães merecem ser honradas pela sua árdua tarefa. Não é nada fácil carregar um filho no ventre, ver o corpo mudar, sentir enjoos, o peso da barriga e tantas outras coisas que são típicas da gestação. Não é fácil, depois que nasce o bebê, ter que amamentar, ficar noites sem dormir, às vezes, ter o seio ferido e ver a sua mobilidade diminuir por um bom período de tempo. Por razões óbvias, não sou mãe, todavia, minha esposa e eu fomos agraciados com uma linda menina, faz pouco mais de um mês. Vi de perto, como um expectador silencioso, todo esse processo pelo qual a minha adorável esposa passou. Ainda vejo. E isso me fez refletir ainda mais sobre a necessidade de honrar as mães.

No entanto, sabemos que muitas mulheres negligenciam seu papel e ignoram as suas tarefas maternas. São mães pelo simples fato de terem gerado a sua cria, mas no que diz respeito a criação delas, são tão decepcionantes que não deveriam portar tal título. Por causa de mulheres assim, vemos aumentar o número de filhos órfãos de mães vivas. Há ainda mulheres que desprezam a maternidade e priorizam a carreira. Não querem ter filhos por achar que isso irá atrapalhar os seus planos de ascender na sociedade. Isso é uma triste realidade, pois, vai de encontro com o projeto de Deus para a mulher.

A maternidade é uma benção que o SENHOR concedeu as mulheres, dando a elas o papel de frutificarem, fazendo com que seres que são “imagem e semelhança” do SENHOR venham a povoar a terra. Obviamente que nem todas podem ser mães, mas apenas Deus em sua soberana vontade sabe o motivo destas que escapam a regra. Sobre a benção de ser mãe, gostaria de usar estes dois versículos texto escrito pelo salmista — no salmo 139 — para frisar o porquê que o exercício da maternidade é uma dádiva concedida por Deus.

1. Deus trabalha no ventre

O salmista diz que foi criado no ventre de sua mãe. Isso é algo que abrange toda a espécie humana, pois, é o útero o nosso nascedouro e, também, o nosso berço por alguns meses. É neste lugar precioso, que apenas a mulher possui dentro de si, que Deus trabalha de maneira admirável. Por mais que saibamos que a gestação é um processo que se inicia desde a concepção, levando em média 36 semanas até que o embrião vá tomando forma e se transforme num bebê prestes a conhecer o mundo, há a mão poderosa de Deus por detrás deste processo natural. Deus também é o Deus das coisas comuns. Todavia, por mais que milhares e milhares de crianças nasçam todos os dias, o que torna isto um fato comum, não deixa de ser algo extraordinário. E cada mãe, ao ver o rostinho do seu bebê pela primeira vez fica maravilhada e se pergunta como é possível que aquele ser tão frágil estivesse dentro dela.

Embora o SENHOR, através do Espírito Santo atue no íntimo de homens e mulheres que passam pelo processo da conversão e são regenerados pelo poder do Alto, apenas as mulheres podem dizer que de uma forma especial, Deus trabalha em seu ventre. Isso é motivo de louvor e toda mulher deve desejar passar por tal experiência, mesmo que algumas não venham a ser mães biológicas, por um desígnio secreto de Deus que apenas Ele conhece, o anseio pela maternidade deve ser encarado como natural e, de certa forma, incentivado. Vemos isso na Escritura. Ana, por exemplo, clamou tanto por um filho que fez um voto de consagrá-lo ao SENHOR (1 Samuel 1.11). Sara, esposa do patriarca Abraão, ao engravidar em idade avançada, disse o seguinte ao ver o seu filho logo após o nascimento: “Deus me encheu de riso, e todos os que souberem disso rirão comigo”. (Gênesis 21:6).

2. Das mães nasce a “coroa da criação”

“Coroa da criação” é um termo muito usado para se referir aos seres humanos. A ideia da expressão é semelhante a “cereja do bolo”. O sentido é afirmar que dentre todas as coisas criadas, há uma especificidade no homem que o torna diferente das demais coisas criadas. Por isso o salmista louva ao SENHOR por ter sido gerado de um modo especial. O relato da criação nos informa que Deus fez o homem e a mulher a sua imagem e semelhança (Gênesis 1.26). Nenhum animal, planta ou elemento mineral possui esta imagem. Por isso, ser mãe é ser um instrumento usado por Deus para trazer ao mundo pessoas que, por serem a imagem de Deus, refletem Seu poder e Sua beleza.

Como “coroa da criação”, o ser humano deve fazer com que a imagem de Deus reflita na terra, para que a glória do SENHOR seja conhecida e todos se voltem para adorar ao Criador. Logo, o papel das mães não se resume em colocar suas crias no mundo e só. Há a função de instruir as crianças no caminho em que devem andar (Provérbios 22.6). Esta é uma tarefa que deve ser realizada em parceria com o pai, mas a negligência de algum pai em exercer esta tarefa não deve servir de desculpa para que a mãe também negligencie a boa criação de seus filhos.

É importante frisar que o provérbio fala que as crianças devem ser ensinadas “no caminho”. Não é apenas apontar a direção e dizer “faça”. O texto nos diz que devemos trilhar a mesma estrada com os nossos filhos e na caminhada ensinar-lhes como serem piedosos e tementes a Deus, de um modo que a sua fé seja firmada até mesmo quando alcançarem uma idade já avançada. Por isso, mães, não queiram terceirizar a educação de suas crianças. Não pensem que levá-las e pegá-las na escola é o suficiente. Também não o é levar o filho para igreja e deixar que toda instrução espiritual venha de terceiros. Sejam mães como a mãe e a avó de Timóteo, que o ensinaram desde pequeno a ter a fé que elas cultivaram nele desde que era apenas um menino ensinando-lhe a Escritura (2 Timóteo 1.5 e 3.14–15). Façam isso e preservem a beleza da “coroa da criação”.

3. Ser mãe é fazer parte da obra divina

O salmista exclama: “Tuas obras são maravilhosas! Disso tenho plena certeza”. Outra certeza que devemos ter ciência é de que através da maternidade, Deus arquitetou uma grande obra, visando redimir a humanidade caída.

Quando o primeiro casal pecou, não somente eles, mas a sua descendência viu ser desconfigurada a imagem e semelhança que Deus havia posto no homem. Ao ouvir a serpente e procurar desafiar o Criador, desobedecendo uma obra expressa de Deus, o primeiro casal morreu espiritualmente, estando fadados a provarem do cálice da ira divina. Mas é aqui que encontramos a misericórdia de Deus de uma maneira vívida e clara. Ao invés de destruir aquele primeiro casal rebelde e obstinado, o Senhor, vai separar aquela aliança maldita que eles fizeram com o Diabo para preservar a humanidade de ter o mesmo destino derrotado de Satanás. Gênesis 3:15 diz: “Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este ferirá a sua cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar”.

Aqui temos a primeira promessa messiânica. Gênesis 3:15 aponta para Cristo e sua obra redentora. Se há homens e mulheres que tem Satanás por inimigo, apesar da associação natural com a causa satânica, isto só é possível porque Deus fez uma aliança com aquele primeiro casal e separou uma linhagem para si. Abra a sua Bíblia no Evangelho segundo Lucas e veja no capítulo 3, a partir do versículo 23, o cumprimento desta promessa. Ali está a genealogia do Salvador. De Eva até Maria, vemos chegar à plenitude do tempo, como diz o apóstolo Paulo, quando “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher” (Gálatas 4.4).

A maternidade é tão importante que foi um instrumento de Deus para trazer aquele que poderia nos redimir e desfazer as obras do Diabo, trazendo salvação a todos quanto nele depositam a sua fé. E ainda hoje continua a importar, pois, do ventre de muitas mulheres surgem cidadãos do reino dos céus, frutos de semente santificada, mediante a graça de Cristo. De fato, não temos outra opção a não ser exclamar juntamente com o salmista que tal obra é maravilhosa. E mais maravilhoso ainda é saber que Deus usou — e usa — mães na execução de seu plano redentor.

Conclusão

Diante do que já foi dito, é preciso frisar que a mudança de concepção de muitas mulheres, inclusive dentro das igrejas, é uma ação diabólica e precisa ser combatida. Por exemplo: Não há como compreender os pontos elencados nesta mensagem e defender o aborto seja por quaisquer motivos. Abortar é algo que Deus condena. Pode até vir a ser descriminalizado nas leis dos homens, mas, na Lei Divina continuará sendo uma violação ao mandamento que diz “não matarás”.

Também não é possível que uma mulher que compreenda esta mensagem e que deseja ser uma serva dedicada na obra do Senhor venha a priorizar a carreira em detrimento da maternidade. Não estou dizendo que a mulher não deva trabalhar fora de casa e não estou me colocando contrário ao sucesso que muitas galgam no mercado de trabalho. O que exorto é: nada é mais primoroso e belo do que a vocação da maternidade. Teu sucesso profissional não te deixará tão realizada quanto o desempenhar da tua função de mãe, procurando sabiamente ensinar teus filhos a amar e a servir ao SENHOR. Busque como teu principal legado, deixar filhos piedosos neste mundo, para que através da vida deles, Cristo venha ser glorificado.

Ser mãe é uma benção e, ao mesmo tempo, é abençoador, desde que vocês diligentemente façam com que seus filhos sejam mais que bons cidadãos. O vosso alvo deve ser fazer deles verdadeiros adoradores do Deus altíssimo. E o bom é que vocês não estão à deriva. O próprio Senhor através de Sua Palavra e sua presença, irá lhes auxiliar nesta honrada tarefa.


Pr. Thiago Oliveira