Aprendizados das 2 talks que mais gostei da BrazilJS 2017

Até recentemente estava buscando um posicionamento na minha carreira. Depois de fechar a Sheeper, precisava me encaixar novamente no mercado e não estava, aliás, ainda não está sendo trivial essa tarefa.

Gosto de back-end, gosto de front-end e gosto de liderar pessoas. Em que área devo focar?

Essa é a pergunta que vêm latejando na minha cabeça há alguns meses. Pensei que seguir pelo back-end, como eu já estava fazendo antes de abrir a empresa seria o melhor caminho, mas fazendo uma reflexão do que eu realmente gosto de fazer, o front-end e a parte de liderança ganharam mais força.

Pra me ajudar nessa missão, decidi que iria começar a participar de eventos pra conhecer mais gente, conversar sobre as tendências do mercado, sobre as tecnologias envolvidas, e enfim, sentir a vibe de cada área pra tentar achar qual é o meu lugar.

E foi assim que lá no mês de maio comecei a procurar por eventos, e descobri que o maior evento de JavaScript do mundo acontecia aqui no Brasil, em Porto Alegre, já há alguns anos.

Não pensei duas vezes e comprei os ingressos logo no primeiro lote. Eu iria para o meu primeiro grande evento de Web!

Por quê escrever esse artigo?

Durante 2 dias assisti a palestras incríveis, e muitas me impactaram de maneira positiva. Depois de ouvir tanta coisa legal de gente tão experiente, achei que esse conhecimento merecia ser compartilhado, por isso estou aqui.

Esse post vai ser um pouco longo, mas vou tentar resumir as duas palestras que mais gostei na BrazilJS Conf 2017.

Sem dúvida não é uma tarefa fácil, mas escolher apenas duas não significa que as outras não foram excelentes. Só significa que no momento que estou vivendo, essas que escolhi foram as que mais me impactaram e me agregaram como desenvolvedor e pessoa.

Então vamos lá!

“Zen and the Art of Code Maintenance” por @JemYoung

Jem Young é engenheiro de software senior na Netflix. Ele é um cara super alto que curte código limpo e que junto com outros engenheiros de companhias famosas faz um podcast chamado Front End Happy Hour.

Achei a talk dele muito interessante porque bate bastante com a forma que eu penso sobre código. As coisas devem ser simples e fáceis de entender para que o próximo desenvolvedor que pegar o seu código não tenha muito trabalho.

Enxuguei a palestra dele em alguns tópicos para facilitar a leitura.

Código bom é código de fácil manutenção

Código Usável + Código Escalável = Código Bom

Usável

Precisa responder a essas perguntas:

  • Você pode encontrar e consertar bugs rapidamente?
  • Você pode integrar com outro código sem quebrar as coisas?
  • É uma implementação direta? Ou você tem que procurar na documentação pra entender o código?

Escalável

Não tem a ver com os recursos da máquina, mas se é escalável em relação às pessoas.

  • Seu código pode ser usado por 20 pessoas? Por 100 pessoas?
  • Seu código usa padrões de projeto simples? Ou o próximo desenvolvedor vai ter que gastar 2 semanas entendendo?

Exemplos

Código usável e não escalável:

function count() {
console.log('1');
console.log('2');
console.log('3');
console.log('4');
console.log('5');
console.log('6');
console.log('7');
console.log('8');
console.log('9');
console.log('10');
}

Código usável E escalável:

function count(max) {
for (let i = 0; i <= max; i++) {
console.log(i);
}
}

Lição 1 — Nomeie as coisas apropriadamente

Exemplo errado:

function foo(x) {
const a = 'er';
return x + a;
}

Exemplo certo:

function erify(word) {
const ER = 'er';
return word + ER;
}

Lição 2 — Evite código inteligente

Exemplo de código inteligente:

-~["a", "b"].indexOf("d")

O código acima funciona, mas exige um conhecimento avançado de como esses operadores funcionam a nível de bytes para trazer um resultado verdadeiro ou falso.

E pode ser substituído simplesmente por:

["a", "b"].indexOf("d") > -1

Lição 3 — Comente o seu código

Essa lição em particular eu achei controversa, pois se você precisa comentar o seu código, quer dizer que a lição 1 não foi bem aplicada, e você não nomeou as coisas apropriadamente.

Por outro lado, concordo que se você tem vários import no seu código, fica muito mais legível separá-los com comentários.

Exemplo:

/* Libraries */
import React from 'react';
import PropTypes from 'prop-types';
import createReactClass from 'create-react-class';
import _ from 'lodash';
/* Loggers */
import eventLogger from '../logging/event';
import mobileLogger from '../logging/mobile';
/* Components */
import Input from '../../components/form/input';
import Checkbox from '../../components/form/Checkbox';
import scanner from '../../components/scanner';

Lições 4 e 5 — Seja deliberado e consistente

Ou decidido na hora de escrever o código. Se você tem um estilo de programar, continue com esse estilo, não importa qual seja, mas seja decidido e sempre faça do mesmo jeito.

Seguindo um padrão, seu código fica organizado e mais compreensível para o próximo desenvolvedor, que vai entender o seu padrão.

Exemplos práticos são o uso de tabs vs espaços, testes em pastas diferentes vstestes na mesma pasta, css no mesmo arquivo vs css em arquivos separados e por aí vai.

Lição 6 — Entenda as ferramentas

Você não precisa conhecer todas as ferramentas e/ou frameworks disponíveis a fundo, ou saber fazê-las absolutamente do zero. Mas você precisa saber quando usá-las e quando não usá-las.

O importante é entender o custo das suas escolhas e qual é a ferramenta certa para o resultado que você deseja obter, seja usando AngularjS, React ou VueJS, por exemplo.

“Estoicismo e Javascript” por @zenorocha

Zeno Rocha é um desenvolvedor front-end brasileiro, palestrante e entusiasta open source, que vive em Los Angeles e também foi criador da lib clipboardjs.

O que eu mais gostei da palestra do Zeno foi essa pegada mais voltada pra questões que pouca gente debate, mas que todo mundo tem alguma vez na vida. Como por exemplo que carreira dentro da área de TI devemos seguir ou o que estudar depois de escolher uma área.

Ele também fala das barreiras que colocamos para não seguirmos nossos objetivos na vida e conecta tudo isso com filosofia.

Vou tentar resumir em alguns tópicos a palestra dele.

O que eu devo estudar?

Existem N tecnologias no mercado e ficamos tentando entender qual é a que vai vingar para focarmos e cairmos de cabeça naquilo.

Porém, sempre existirão novas tecnologias, é impossível saber o que vai dar certo e o que não vai.

A solução pra isso? Escolher uma área, escolher uma tecnologia e focar. Esse é o único caminho, e não vale a pena se preocupar.

Por que as tecnologias mudam toda hora?

No mundo front-end sempre há um novo framework ou uma nova biblioteca surgindo, e isso é meio desesperador, porque não dá tempo de estudar tudo.

As tecnologias mudam toda hora porque o ser humano é assim. Código é o resultado de se expressar criativamente para resolver um problema e também não devemos nos preocupar com isso.

Uma profissão na área de tecnologia é a única profissão onde tudo vai mudar o tempo todo e devemos estar preparados pra isso.

O que não quer dizer que temos que aprender todo framework novo e seguir todos os hypes, mas quer dizer que devemos saber lidar com essas mudanças e tomar as melhores decisões possíveis no caminho.

Aprender algo novo não é tão difícil quanto parece

Por as coisas mudarem bastante e muito rápido, às vezes ficamos com medo de começar e aprender algo novo, e achamos que não vamos ficar bons naquilo porque já tem tanta gente num nível mais avançado que parece impossível alcançar.

Porém, esse é um medo muitas vezes inexistente, basta ter paciência e seguir com passos pequenos, mas constantes.

O propósito por trás do Open Source

Ouvimos o tempo todo que abrir o código é o que todo desenvolvedor deve fazer, você deve colocar seu código no Github porque é o que os recrutadores vão usar para te analisar, como se fosse um currículo.

Ou então acham que criando algo fora do comum e colocando no mundo vai de alguma forma trazer fama ou reconhecimento, e a verdade não é bem assim.

Devemos saber o propósito de contribuir com código open source. É ajudar outra pessoa? De repente o problema que você teve e solucionou pode salvar 30 min de uma pessoa, que poderiam ser gastos pra estar com a família dela, por exemplo.

O Open Source não é só colocar código no Github, mas um estilo de vida. Tudo o que você faz hoje, pode ser compartilhado. E essa é uma ação que pode desencadear N reações, mas que com certeza algum proveito você, ou a pessoa que está usando seu código vai ter lá na frente.

Código dos outros

Temos a tendência de criticar e julgar outros desenvolvedores unicamente por seu código. Seja quando pegamos um freela de um projeto que já existe, ou quando entramos numa nova empresa e o desenvolvedor que lidava com o projeto não está mais lá, enfim, várias situações.

E o que precisamos entender é que o código é o resultado de uma situação, seja a empresa que não está indo bem, ou o projeto que teve complicações, são vários os cenários, mas não devemos julgar outros desenvolvedores unicamente por um código que naquele momento não era tão bom.

Ação e Reação

Por último, ouvimos muita gente falando coisas como:

“Tenho uma ideia incrível, preciso colocar em prática…”

“Meu trabalho é uma droga, preciso mudar de emprego…”

“Esse país não tem jeito, preciso sair do Brasil…”

E essas frases são seguidas de um mas:

“…mas eu não tenho tempo.”

“…mas eu não tenho dinheiro.”

“…mas eu não sei inglês direito.”

E são sentenças válidas, são circunstâncias reais. Porém, também são muito cômodas, pois não vem acompanhadas de um plano de ação pra mudar isso.

A única pessoa que impede você de alcançar alguma coisa, é você mesmo.

Devemos sempre pensar “o que eu quero fazer?” e o “o que falta pra eu chegar lá?”.

E então tomar atitudes para conquistarmos a mudança que desejamos.

Outras talks inspiradoras

Além dessas que mais gostei, também teve palestras que achei muito inspiradoras e que valem a pena assistir:

“How to be a Compiler” pela @kosamari

Mariko Kosaka é desenvolvedora web no Google e co-organizadora do brooklyn_jse do ridgewood_js.

Nessa talk ela mostra de um jeito muito simples e divertido como desenvolver um pequeno compilador em JavaScript.

“Como um Projeto JS Open Source se transformou em uma empresa de 60 milhões de reais” por @gabriel_engel

Gabriel Engel é fundador da Rocket.Chat e nessa talk ele conta como uma equipe de brasileiros utilizou o poder do open source para transformar um projeto paralelo em uma startup de US$ 17 milhões.

Foi bem inspiradora essa palestra, a história desses caras é sensacional.

“JS gives you Superpowers, use them” por @_Gui_Souza

Guilherme Souza é CTO na Revmob e tem 10 anos de experiência com EcmaScript. Nessa talk ele simplesmente mostra como foi construir um protótipo de uma prótese humana usando JavaScript no maior estilo Iron Man.

Foi a última palestra do evento e ele dá um tapa na cara de quem acha que sabe tudo, essa palestra foi pura emoção.

Conclusão

É difícil não falar de todas as outras talks, mas tentei dar destaque aqui para aquelas que mais curti.

Como eu disse, esse foi meu primeiro grande evento de Web, e saí de lá motivado e inspirado a compartilhar meu conhecimento e ser um profissional e uma pessoa cada vez melhor.

Um evento com mais de 1400 pessoas, muito bem organizado, num ambiente de respeito, e que contribui bastante pro networking entre a galera, ah! E na cidade com mais barzinhos que conheci depois de São Paulo.

Indico demais esse evento e com certeza estarei nos próximos. No mais, só tenho que agradecer o aprendizado e a oportunidade de conhecer e assistir a pessoas tão fodas. Obrigado BrazilJS!

Antes de ir…

Se ficou interessado em assistir a todas as palestras do evento, segue os links:

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