Olá Daniel, minha pesquisa na área da Teoria do Desacordo joga uma luz sobre o fenômeno da discordância “punitiva” que você viveu, assim como sobre o texto do Silvino, que fala sobre “não falar”, sobre o “prejuízo” da discussão… existe uma associação direta entre “discordar & punir”. A discordância inteligente e respeitosa propositalmente trabalha para minimizar a punição ao máximo, ou seja, para que o esforço que a discordância exige se localize num grau mínimo, intelectual, de “esforço de revisão de crença” (como você fez no caso do termo “pardo”, aliás, entrando numa linha muito nova e rica da filosofia, a “aptidão semântica”, ou seja, a capacidade de um termo ser apto ou inapto a cumprir determinado objetivo, em determinado contexto). Já a discordância agressiva visa, ainda que inconscientemente, criar um “desestímulo à ação”: não fale, não proponha, não levante a pauta, pois você encontrará tamanha punição (em forma de “esforço imposto, esforço forçado”), que a recompensa dos concordantes não será suficiente para valer a pena. Qualquer pessoa que levante a pauta do racismo no Brasil encontrará punição massiva e sistemática, que visa silenciar novas iniciativas — sejam elas agressivas, violentas ou “falsamente científicas” como o livro do Ali Kamel, que municia os racistas de argumentos falaciosos para negar a existência do racismo no Brasil. O fato de você não ter se calado e escrito um segundo texto, de ter processado o esforço de discordar dos discordantes, de ter recebido a recompensa dos “concordantes” (que te poupam esforços, te municiando de novos recursos, contatos, reputação), tudo isso mostra que você tem “recursos suficientes” para encarar uma punição “massiva” sem esgotar sua fonte de energia interna, seja ela objetiva ou subjetiva; uma verdadeira demonstração de que a onda punitiva, por maior que seja, não consegue calar a todos e inibir o protagonismo do negro na sociedade brasileira. Parabéns, e obrigado! PS: venha para o grupo “Contracultura Empreendedora” no FB! Esse tipo de pauta é nossa pauta — feminismo também.