(In)feliz Dia dos Pais

Quando se é pai, suponho
Você assume a responsabilidade
E também o risco de falhar
Na educação dos filhos
Assume o primeiro grau
De uma linha direta com seus ascendentes
Diz-se feliz aquele que domina tal arte
Sem desconsiderar as decepções inerentes
Conflitos eventuais e até saudáveis
Na formação do caráter do indivíduo
Quando se é pai, acredito
O abraço é moeda de troca
E o arrependimento o preço do perdão
Pequenos detalhes de valor imensurável
Onde infere-se o significado sui generis
É algo sagrado para a maioria
Uma dádiva orquestrada e aceita de bom grado
Um dom do qual todos somos providos
E inadvertidamente abençoados
Não preciso ser pai para disso saber
Mas quando recorro à consciência
Me aflige a fadiga da existência em determinar
Que viver na eminência sempre de tragédias como esta
Seria-me algo impossível de suportar
Quando um pai vê o filho sangrar até a morte
E tem de engolir o choro na entrevista
Arquear a cabeça e mostrar que é forte
Retrocedendo os frames, tendo de relembrar
Não porque agora seja necessário,
E sim porque jamais ira conseguir apagar
Os momentos críticos que viveu ali ao lado
Da pessoa que mais ama enquanto a vida lhe escapava
Sem nada poder fazer, sem não conseguir ajudar
Jamais poderá dizer se acertou ou falhou
Roubaram-lhe a chance de completar a missão
Como saqueadores desprezíveis dentro da noite
(Pensar que os facínoras covardes
Se divertiram fazendo aquilo)
Quando se é pai, admiro
A gratidão pelo pouco que puderam compartilhar
O fato inegável de se surpreenderem sorrindo
Mesmo em meio a tamanha tristeza
Porque a pesar de tudo, para eles
O prazer da lembrança dos filhos
Só não supera a dor da perda

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.