Mãe

Sabe quando me pesa sua ausência? 
Só de janeiro a janeiro 
Quando olho no espelho e te vejo
No traço genético engendrado 
No cenho franzido e marcado
Sob o olhar sério e compenetrado 
De quem vê além das aparências.

Quando me pesa sua ausência? 
Só de segunda a segunda
Na voz embargada ao escutar 
Alguém comentar que te conhecia 
Como se fosse uma dádiva.

Quando me pesa sua ausência? 
No verão quente sem seu chá gelado 
Na falta que faz sentir seu abraço 
E o afago sempre singelo de suas mãos delicadas.

Quando me pesa sua ausência? 
Ainda a pouco quando brincava com seu neto
Meu sobrinho, filho da sua filha
Por certo diferente do que fizera conosco
Sem dúvidas que o mimaria.
 
Quando me pesa sua ausência? 
Em cada segundo antes de virar minuto
Em cada minuto antes de virar hora
Em cada pensamento antes de virar palavra
No transcorrer lento de cada noite de insônia
Na emulação degradante da labuta diária.

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