
Naufrágio
Aug 29, 2017 · 1 min read
Nenhuma ilha por nome esperança
Nenhum horizonte na paisagem remota a alcançar
Ao norte da estúpida bússola o que resta?
Além dessa névoa espessa o que há?
As cãibras limitam os movimentos
A densidade nas narinas o ar
O frio a capacidade de raciocínio
Reduzindo também as chances de sobrevivência
Reduzindo até a vontade de continuar.
Destroços dispersos do que sobrara flutuam a esmo
Lembranças do último reduto da vida
a naufragar
Sucumbindo lentamente sob a inclemência vertiginosa das vagas.
Plêiades por testemunhas mudas
Constelações de estrelas silenciosas
Encrespadas nuvens ocultam a musa
Cujo brilho por certo será
O derradeiro vislumbre do belo
Antes da derradeira onda me tragar.
