Naufrágio

Nenhuma ilha por nome esperança 
Nenhum horizonte na paisagem remota a alcançar 
Ao norte da estúpida bússola o que resta?
Além dessa névoa espessa o que há?

As cãibras limitam os movimentos 
A densidade nas narinas o ar 
O frio a capacidade de raciocínio
Reduzindo também as chances de sobrevivência
Reduzindo até a vontade de continuar.

Destroços dispersos do que sobrara flutuam a esmo 
Lembranças do último reduto da vida 
a naufragar 
Sucumbindo lentamente sob a inclemência vertiginosa das vagas.

Plêiades por testemunhas mudas 
Constelações de estrelas silenciosas 
Encrespadas nuvens ocultam a musa
Cujo brilho por certo será 
O derradeiro vislumbre do belo 
Antes da derradeira onda me tragar.

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