
O eclipse do matuto
O matuto já tá que não aguenta
Ora é o Tião do armazém
Ora é o Mané da feira
Todos decididos a lhe aporrinhar
Com o mesmo lero lero
Com a mesma lenga lenga
Sobre um tal de eclipse solar
Dessas coisas que matuto não faz conta Dessas coisas que matuto acha besteira.
Num faz questão de assuntar
Sabe do que precisa e isso basta
Acordar , ganhar a vida e trabalhar
De sorte que às vezes nem beira
Arrasta as alpercatas surradas
Dá linha na pipa e se afasta
Assim que começam tais asneiras.
Sobre estrelas, céus e planetas
Dá de ombros e não esquenta a cabeça
Corta o fumo e cospe depois de mastigar
Se a maioria se perde em prosa errada ele arrudeia.
Basta para o matuto a sesta na sombra
Depois do arroz com jurubeba
O rádio à pilha pendurado no jirau
As reses no curral pra ordenhar
Envergar a vara na hora da pesca
O chapéu de palha tapando a testa
É o único eclipse que lhe interessa.
