Política, amor e religião

O paroxismo da loucura é o lirismo
Nessa peça trágica que encenamos

Somos atores e também a plateia
Há razões para meu pessimismo
Mas não irei citar aqui nenhuma delas

Tudo está aí, posto e acabado
A previsibilidade das jogadas me constrange
Nas mãos trêmulas os dados viciados
No peito um animal exangue

Sabemos aonde a estrada nos levará
Mas insistimos em continuar
Sabemos o final da história
Tolos, fingimos não acreditar

Somos as vítimas de nossos atos
Na medida em que nos entregamos
Somos paulatinamente escravizados
Os mesmos que votam nas urnas
Gritam “Vamos pra rua” 
E opinam nas mídias indignados

Há um poço de paixões profundas
Há uma cova de sonhos enterrados
Em um, só encontrei lodo e penúria
No outro, uma ninhada de ratos

Mergulhar é realmente preciso?
Será realmente necessário sujar minhas mãos?

Todas as nossas tentativas frustradas
Todos os malditos planos adiados em vão
Falácias que defendemos com entusiasmo
Política, amor, religião.

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