Sobre (não) ser eu

Não tenho sido eu mesmo esses dias
De carona nesse corpo sem me lembrar
Antes uma confissão do que uma constatação
De onde venho? E já que aqui estou…
Para onde eu iria agora?
Simulacro de uma vida sem originalidade alguma
Suponho essa sombra que destoa da forma
Como manifestação de vontade compungida

Não tenho sido eu mesmo esses dias
Perdi a credencial que me identificava
No espelho aquela imagem é uma anedota
Refletindo por certo um ator sem talento
Um arlequim e sua pantomima cheia de exageros
De todos os meus gestos fazendo troça

Não tenho sido eu mesmo pelo que comentaram
Isto aliado ao desassossego da não-identidade
Restringi a crença em algum personagem verossímil
Você que lê, ajude-me e responda!
Já que a vida do outro ao que parece, muito lhe importa
A pesar de não lhe dizer respeito, nem ser da sua conta

Não tenho sido eu mesmo esses dias
Dando ouvidos a insignificâncias desmotivadoras
Mas se desmotivam padecem de inutilidade
Recriando veementes da derrota o símbolo
Nas mentes que denunciam-se pela desditosa veleidade

Não tenho sido eu mesmo, mas quem sou na verdade?
Qualquer um que custe mais do que sua opinião
E dê menos valor ao artista do que à arte
Sou Paul e Jonh sem a mesma genialidade
Daqui dez mil anos um Rauzito, quem sabe?
Um poeta frustrado, escritor menor sem brilho
Subestimado sempre, jamais compreendido
Não tenho sido eu e o que sou basta
Para preencher meus dias de satisfação
Copiando o amor próprio de meus ídolos
Desconstruindo tudo o que fizeram antes

Com minhas próprias mãos

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