A melhor corrida dos últimos quatro anos

No domingo retrasado, dia 25 de Junho, aconteceu a oitava etapa da Formula 1 2017, realizada em Baku, capital do Azerbaijão. Uma corrida simplesmente fantástica onde aconteceu basicamente de tudo. Sim, de tudo.

A pista

A pista, que no ano passado nos proporcionou com uma péssima corrida, é um dos circuitos de rua mais loucos já vistos na história do automobilismo. É estreito como o de Mônaco, tem retas rápidas como em Montreal, com curvas extremamente fechadas como em Singapura e uma reta muito longa, com mais de dois quilômetros, a maior de todas na F1.

Treino classificatorio

No treino classificatório, nenhuma surpresa. As Mercedes dominaram com folga a disputa, com direito a briga entre Bottas e Hamilton pela pole.

Um que se deu muito mal foi Daniel Ricciardo. O australiano bateu a trazeria de sua RBR a três minutos do fim do Q3 e acabou ficando sem tempo, tendo que largar em décimo lugar no grid.

A grande surpresa do sábado foi Lance Stroll, que chegou pela segunda vez no Q3 e garantiu a oitava colocação, a frente, inclusive, de seu companheiro de equipe Felipe Massa.

Os dez primeiros de sábado foram:

  1. Lewis Hamilton/Mercedes - 1:40,593
  2. Valtteri Bottas/Mercedes - 1:41,027
  3. Kimi Raikkonen/Ferrari - 1:41,693
  4. Sebastian Vettel/Ferrari - 1:41,841
  5. Max Verstappen/Red Bull - 1:41,879
  6. Sérgio Pérez/Force India - 1:42,111
  7. Esteban Ocon/Force India - 1:42,186
  8. Lance Stroll/Williams - 1:42,753
  9. Felipe Massa/Williams - 1:42,798
  10. Daniel Ricciardo/Red Bull - 1:43,414

A corrida

Logo na largada, acontece o primeiro grande incidente muito discutido nas conversas de bar. Em uma briga entre dois compatriotas, Bottas “joga” o carro pra cima de Raikkonen, seu pneu dianteiro direito acaba furando e o finlandês da Mercedes tem que fazer uma imprevista parada nos boxes, que o deixa em último e precisando fazer uma corrida de recuperação.

Já pelo lado positivo, Massa larga muito bem e consegue assumir a sexta colocação, deixando Stroll e Ocon para trás.

Na volta 12, Max Verstappen, que vinha perseguindo Pérez pelo terceiro lugar, tem problemas no motor e acaba abandonando a prova mais uma vez. É a terceira vez no ano que o holandês não completa uma corrida por algum problema no carro. O piloto saiu impaciente do cockpit. Realmente uma pena, já que ele vem sendo apontado como o piloto mais talentoso da nova geração.

Safety Car na pista. Corrida paralisada pelos abandonos de Kvyat e Verstappen. A relargada foi fantástica para Felipe Massa, que ultrapassou Raikkonen e assumiu a quarta colocação.

Mal saiu a bandeira amarela e lá estava o carro de segurança de novo, por conta de detritos na pista. Hamilton freia forte e Vettel acaba acertando sua traseira, em seguida o alemão “joga” o carro propositalmente contra seu rival. Aí chegamos ao segundo impasse: Quem está errado? Quem merece levar punição?

Em meio a todo esse questionamento, é dada mais uma relargada e Massa, que vinha fazendo simplesmente a sua melhor corrida na Williams, rouba a cena e ultrapassa Sérgio Pérez. Em seguida, Ocon toca o companheiro de equipe e os dois acabam indo aos boxes.

Raikkonen também se da mal e fura o pneu traseiro direito, devido aos detritos na pista.

A bandeira vermelha é acionada e os carros vão para os boxes. Nesse momento Hamilton liderava, seguido de Vettel, Massa, que — digo de novo — vinha fazendo uma corrida fantástica, Stroll e Ricciardo, que faziam uma prova limpa, aproveitando os erros dos adversários.

Nesse período, o narrador Luis Roberto já dizia que era possível uma vitória do brasileiro, já que, por conta do incidente envolvendo os dois líderes, eles poderiam receber punição e assim, Massa assumiria a ponta.

Pérez e Raikkonen, que haviam abandonado, foram liberados e puderam voltar a correr.

A segunda metade da corrida estaria prestes a recomeçar. Uma nova prova. Pouco antes de ser dada a relargada, Massa havia dito ao rádio que estava com um problema na suspensão.

A bandeira verde é acionada e recomeça a corrida. Ricciardo faz ultrapassagem dupla nas Williams e Stroll ultrapassa o companheiro.

O problema do brasileiro é grave e ele é forçado a abandonar a prova. Massa e Luis Roberto chegaram aos Trending Topics do Twitter e muitos diziam que o narrador havia “zikado” o piloto.

Na volta 31, a espuma protetora do cockpit de Hamilton se solta e ele é obrigado a parar. Simultâneo a sua entrada nos boxes, os comissários informam uma punição de stop/go de dez segundos para Vettel, que fica indignado e gera dúvida entre comentaristas.

Por que uma punição de algo que havia acontecido há mais de 40 minutos vem à tona exatamente no momento em que há um problema em Hamilton? Por que punir Vettel e não fazer o mesmo com o inglês? Será que os comissários entenderam que por causa do problema do piloto da Mercedes, puni-lo poderia prejudicar ainda mais sua corrida?

Com esse resultado, Daniel Ricciardo, que vinha fazendo uma corrida muito discreta, assume a ponta, com Stroll em segundo e Magnussen em terceiro, que fazia também uma corrida muito boa.

A reta final da corrida é emocionante, com Vettel e Hamilton fazendo uma corrida de recuperação e tendo uma disputa ferrenha com Alonso pela sexta colocação; Bottas e Ocon voltando a brigar por cima; e Ricciardo e Stroll liderando com folga.

Já aconteceu muita coisa, não? É, mas tem mais. Última volta da corrida. Ricciardo lidera, Stroll em segundo com 1.4 segundos em relação à Bottas, Vettel e Hamilton brigando atrás. Depois de passar a longa reta final, Ricciardo cruza a linha de chegada em primeiro e logo atrás Stroll vem muito rápido. Mas na linha de chegada, Valtteri Bottas faz a ultrapassagem em cima do canadense e conquista a segunda posição.

Ricciardo é o quarto piloto diferente a vencer uma prova esse ano, colocando a Red Bull como a terceira equipe vencedora de corridas na temporada. Esse também é a quinta vitória do australiano na carreira.

Dia de conquista também para Lance Stroll, o Driver of the day, que conquistou o primeiro pódio na carreira.

Alonso conquistou os primeiros pontos da McLaren nessa temporada, com o nono lugar na prova.

Essa corrida também foi marcada como a primeira vez desde o GP da Rússia em 2015 em que nove equipes diferentes entraram na zona de pontuação.

Confira a classificação final da corrida:

  1. Daniel Ricciardo/Red Bull - 2:03:55,573
  2. Valtteri Bottas/Mercedes - +3,904
  3. Lance Stroll/Williams - +4,009
  4. Sebastian Vettel/Ferrari - +5,976
  5. Lewis Hamilton/Mercedes - +6,188
  6. Esteban Ocon/Force India - +30,298
  7. Kevin Magnussen/Haas - +41,753
  8. Carlos Sainz Jr./Toro Rosso - +49,400
  9. Fernando Alonso/McLaren - +59,551
  10. Pascal Wehrlein/Sauber - +1:29,093

Análise geral

Não há duvidas de que essa foi a melhor corrida da temporada, e pode-se afirmar, sim, que essa foi a melhor dos últimos quatro anos, desde a era dos motores dos motores híbridos, onde a Mercedes é muito dominante.

Vettel e Hamilton fizeram o primeiro “pega” da temporada e se destacaram demais. O diretor da Mercedes, Toto Wolff, afirmou que não há mais respeito entre os pilotos e que a rivalidade ficará ainda mais intensa a cada prova.

Lance Stroll foi eleito, merecidamente, o piloto do dia. Fez uma pilotagem limpa e sem erros, aproveitou as falhas dos adversários e chegou ao pódio. O canadense de 18 anos vem mostrando a cada prova que não é apenas um playboyzinho filho de um pai muito rico.

Bottas fez uma fantástica corrida de recuperação, saiu de último lugar e terminou em segundo. Foi, talvez, o grande nome da corrida e protagonizou uma das cenas mais marcantes da prova, com uma ultrapassagem na linha de chegada.

Outro que fez uma prova parecida foi Esteban Ocon. Ele causou uma colisão com Pérez um pouco antes da bandeira vermelha e caiu muitas posições. A partir dali, o francês mostrou que não está para brincadeira: chegou a se situar entre os três pimeiros e proporcionou uma briga feroz com o finlandês da Mercedes.

Palmas para Daniel Ricciardo. O australiano fez uma corrida fantástica. Largou em décimo lugar, depois de um treino para esquecer. Fez uma prova limpa, apagada de um certo ponto, aproveitou os erros dos adversários e suas únicas ultrapassagens foram em cima de Stroll e Massa.

Em contrapartida, o brasileiro Felipe Massa vinha fazendo uma corrida excelente e se não fosse por um problema de suspensão teria chances enormes de vencer. Tudo bem que entrariamos na teoria do “se…”, mas Massa sofreu a ultrapassagem de Ricciardo justamente por causa do problema no carro. Mas não podemos descartar que naquele momento ainda faltavam 27 voltas para acabar e o australiano tinha mais carro que ele.

O futuro pós-Baku

A temporada de 2017 está fantástica. A nova dona, a empresa americana Liberty Media, está mostrando ao público da F1 o que os americanos sabem fazer de melhor: organizar cada evento como se fosse final de Copa do Mundo.

A nova Formula 1 está se tornando um reality show, chamando o público para assistir. Só nesse ano já presenciamos entrevistas dos pilotos frente à torcida, Alonso subindo nas arquibancadas, Hamilton recebendo um capacete de Senna ao vivo e agora um espetáculo em Baku.

Esperemos que as próximas etapas mantenham esse ritmo e que essa nova F1 continue nos oferecendo belíssimas imagens.

Próxima parada: Áustria!