O sonho ferrarista ainda não acabou

Neste final de semana foi realizada a última etapa antes das férias da F1: o GP da Hungria. Grande Prêmio marcado pelo domínio constante, desde sexta-feira de manhã até a linha de chegada de domingo, da equipe de Maranello.

A pista

Hungaroring é um circuito lento, muito estreito, com dificílimas possibilidades de ultrapassagem, comparado muitas vezes ao circuito de rua Mônaco. O asfalto é bem ondulado e abrasivo e a pista está, geralmente, muito suja. Por ser uma pista que parece tradicional mas na realidade é de natureza de média para baixa velocidade, os piloto tendem a odila-la, já que é quase impossível de ultrapassar.

Treino classificatório

No treino livre de sábado de manhã, Felipe Massa — que não tem um histórico muito feliz na Hungria, já que em 2009 sofreu o acidente da mola que acertou sua viseira e o deixou desacordado — diz ter se sentido mal e não pôde treinar à tarde. Segundo os médicos da FIA foi detectado uma labirintite viral, mas o piloto não confirmou a existência dessa virose.

Com Massa de fora, o escocês Paul Di Resta foi ao seu lugar. O britânico não pilotava um carro de F1 desde o GP do Brasil em 2013 e não havia feito nenhum teste com o veículo este ano. Totalmente fora de ritmo, Di Resta ainda conquistou o décimo nono lugar no grid, superando Marcus Ericsson, da Sauber.

Na parte de cima, as Ferraris deram show e fizeram dobradinha com Sebastian Vettel em primeiro e Kimi Raikkonen em segundo. Lewis Hamilton, não dando o máximo de si, acabou ficando em quarto. Já seu companheiro Valtteri Bottas conquistou o terceiro lugar, não conseguindo superar seu compatriota da Ferrari.

O grid de largada ficou assim:

  1. Sebastian Vettel/Ferrari - 1:16.276
  2. Kimi Räikkönen/Ferrari - 1:16.444
  3. Valtteri Bottas/Mercedes - 1:16.530
  4. Lewis Hamilton/Mercedes - 1:16.707
  5. Max Verstappen/Red Bull - 1:16.797
  6. Daniel Ricciardo/Red Bull - 1:16.818
  7. Nico Hülkenberg/Renault - 1:17.468*
  8. Fernando Alonso/McLaren - 1:17.549
  9. Stoffel Vandoorne/McLaren - 1:17.894
  10. Carlos Sainz Jr./Toro Rosso - 1:18.912

*Nico Hulkenberg perde cinco posições por trocar a caixa de câmbio e larga em 12º

Corrida

É dada a largada para o Grande Prêmio da Hungria. Vettel, Raikkonen e Bottas mantêm a posição. As Red Bulls largam muito bem e ultrapassam Hamilton, mas em seguida Verstappen toca em Ricciardo e o companheiro sai da pista. Na volta, o australiano roda e acaba tendo que abandonar a prova por conta de um radiador furado. Safety Car entra na pista.

Na relargada, Hamilton parte pra cima de Verstappen pela quarta posição. Atrás dele vinha Sainz — que fez uma excelente largada — Alonso, Perez — que ganhava cinco posições — Vandoorne e Ocon fechava o top-10. Di Resta vinha em 17º.

Verstappen recebe um stop/go de 10 segundos que deve ser cumprido em sua parada, resultado beneficiaria Hamilton.

Depois de 27 voltas a corrida vinha ficando monótona, nenhum acontecimento importante nesse período. Hora das paradas, Bottas vem primeiro, Hamilton para na seguinte. Cinco voltas depois, Vettel vem para a parada e volta na frente das Mercedes. Raikkonen para em seguida e volta muito próximo do alemão.

Na 38ª volta, Alonso bota Sainz de lado e faz a primeira ultrapassagem da corrida. O espanhol da McLaren assume a sexta posição.

Na volta seguinte, Raikkonen fala ao rádio que as Mercedes se aproximaram, enquanto Vettel sente uma falha na direção.

Com a aproximação dos carros alemães, Bottas é orientado a deixar Hamilton passar, já que o inglês vinha mais rápido. O ocorrido causou muita polêmica na imprensa mundial.

Em seguida, a equipe fala ao rádio para que Bottas retome a posição, caso Hamilton não consiga ultrapassar Raikkonen.

Vettel cruza a linha de chegada em primeiro e comemora a quarta vitória na temporada. Raikkonen cruza em segundo e Hamilton, cumprindo com o prometido, devolve a posição para Bottas, que completa o pódio.

Para encerrar o dia ao estilo showbusiness americano, o GP de Hungria também nos proporcionou uma imagem lindíssima do showman da F1 Fernando Alonso sentado em uma cadeira de praia abaixo do pódio.

Esse resultado faz o alemão da Ferrari ir para as férias em primeiro com 14 pontos de vantagem para Lewis Hamilton e o chefe da Mercedes, Toto Wolff, com uma enorme dor de cabeça tendo que trabalhar duro para a equipe voltar forte no segundo semestre.

A classificação final ficou assim:

  1. Sebastian Vettel/Ferrari - 1:39:46.713
  2. Kimi Räikkönen/Ferrari - +0.908
  3. Valtteri Bottas/Mercedes - +12.462
  4. Lewis Hamilton/Mercedes - +12.885
  5. Max Verstappen/Red Bull - +13.276
  6. Fernando Alonso/McLaren - +1:11.223
  7. Carlos Sainz Jr./Toro Rosso - +1 Volta
  8. Sergio Pérez/Force India - +1 Volta
  9. Esteban Ocon/Force India - +1 Volta
  10. Stoffel Vandoorne/McLaren - +1 Volta

Luis Roberto e o jogo de equipe

Talvez o momento mais marcante da corrida foi quando Bottas deixou o companheiro de equipe Lewis Hamilton passar, pois era mais rápido. Na transmissão da Globo, Luciano Burti diz não ter dúvidas que foi um jogo de equipe, e em seguida Luis Roberto afirma que esse tipo de comportamento é natural de uma equipe que briga por título.

Partindo desse comentário feito deste narrador, vamos pensar no seguinte: se colocarmos no lugar de Bottas, Rubens Barrichello, no lugar de Hamilton, Michael Schumacher, e em vez de Mercedes, a equipe é a Ferrari, lembraremos do memorável lance do “hoje não, hoje sim”, não é mesmo?

Muito antigo? Pegamos um momento mais recente: Massa e Alonso na Ferrari. O que sempre era escutado pela mídia brasileira: “o Felipe está sendo prejudicado pela Ferrari para deixar o Alonso ganhar”. Ou então no ano passado, quando Lito Cavalcanti, comentarista da Sportv, alegava sem prova alguma que havia um suborno de Ericsson para que ficasse na frente de Nasr e que a Sauber estaria prejudicando o brasileiro para que não pontuasse.

Por que quando a vítima é um finlandês como o Bottas é válido, ou, como diz Luis Roberto, é natural que haja um jogo de equipe? Reflitamos.

Análise geral

O prêmio de Driver of the day foi dado a Kimi Raikkonen. Motivo: ter conseguido manter Vettel na liderança. Explicação um pouco vaga para quando temos uma corrida em que o alemão liderou a grande maioria dela guiando com um volante que pendia para um lado.

Vettel nessa corrida lembra Senna no GP do Brasil em 1991 — guardadas as devidas proporções — quando o brasileiro, nas última voltas, apresentou problema no câmbio e teve que guiar com apenas uma marcha.

Outro piloto que também merecia ser o piloto do dia foi Fernando Alonso. Tirando a cena sensacional da cadeira de praia, o espanhol proporcionou com Carlos Sainz uma das melhores brigas da corrida e ainda conquistou o melhor resultado da McLaren no ano, com o sexto lugar.

Hamilton também merece ser lembrado por devolver a posição a Bottas, algo que pode comprometer seu campeonato, mas algo que deve o deixar de cabeça limpa ao sair de Budapeste.

Futuro pós-Budapeste

Talvez eu tenha ‘queimado a língua’ depois do que eu disse no artigo do GP da Inglaterra sobre a Mercedes vir superior à Hungria. Mas não podemos nos esquecer que a Ferrari também fez dobradinha em Mônaco, circuito que tem condições parecidas com Hungaroring. Eu também posso apostar que ela fará o mesmo em Singapura.

Portanto, podemos dizer que a Ferrari vai às férias com uma moral melhor que a Mercedes, mas isso não quer dizer que os italianos vão ser superiores que os alemães no restante da temporada. Veremos quais vão ser os próximos capítulos dessa Formula 1, que é, sem dúvidas, o mais disputado da era dos motores híbridos.