
o que você era. o passado. é isso que me rodeia no hoje.
você tinha um jeito despretensioso de mexer no cabelo enquanto olhava meio de canto de olho e sorria.
você tinha umas birras que eu entendia, duravam meia hora, sei lá, ou menos que isso, às vezes, e tentava me convencer que agora você tinha toda a razão, e não eu, depois que eu te dizia pode descruzar esses braços e engolir o choro e guardar esse beiço.
eu amo as nossas histórias que um dia poderíamos contar em um programa do Jô, se ainda existisse, claro. é que o nosso amor começou lá atrás e a gente amava o programa do Jô. mas também poderíamos trazer nossas histórias em um livro pra, quem sabe, lermos juntinhos na velhice.
eu amo o que você era. e, hoje, vejo isso. perceber que te amo por N motivos, mas, bem, só não gosto mais de você.
falo isso ardendo atrás do peito feito comida que não faz bem. a ponto de perceber que não posso mais ficar vivendo com isso, de submissão à loucuras, dores e amarguras, sabe?
se um não consegue ser o que o outro quer, e nem deve, beleza, alguém tem que por os pés no chão e aceitar o fato que não tem problema da gente simplesmente largar as mãos e olhar pra frente. coisa adulta. sensata. madura.
acho que tem fatos que pesam mais que qualquer outros sob os nossos ombros. é a rotina. é cada coisinha. que vai somando e vai enrolando tudo dentro da nossa cabecinha até que a gente percebe o nó que se tornou e impede que a vida flua como precisa ser.
relacionamentos vivem de altos e baixos. não são a comédia romântica. não existe o relacionamento perfeito, mas não deve existir relacionamento de qualquer jeito, entende? gostar e amar não é tão intrínseco como se imagina. a prova disso, que hoje eu te amo, mas gostar mesmo de você não mais antes de mim. não mais a ponto de empurrar com a barriga ou pra baixo do tapete os nós da gente.
talvez devemos aceitar que as pessoas mudam e o negócio é seguir em frente, encontrar outras pessoas.
por que agarrar o (que parece) amor onde pudermos encontrá-lo não é a nossa solução hoje. e não vai ser lá em um belo dia com as cabeças ainda nada decididas do que se quer.
