Dinheiro.

O valor do dinheiro. O entendimento de governo.


vinte e dois de junho de 2014, Berlim.

O que é dinheiro? Pra quê ele serve? Quem o cria? Por que algumas pessoas tem mais que outras? O que o governo tem com isso?

Sinto que estamos vivendo em um momento especial para o povo brasileiro, mesmo atualmente estando tão longe da terra. Em junho do ano passado pipocaram essa onda de protestos no Brasil que até virou filme [Junho, de João Wainer]. A copa do mundo está acontecendo no Brasil sem problemas maiores do que os que já haviam antes. A minha geração está muito melhor informada politicamente que a geração dos “antigos adultos”. Nosso boom econômico permitiu a cada vez mais gente viajar, explorar outras culturas, saborear outras culinárias e viver em países onde não existem empregadas domésticas. Mas existe uma ideia sobre a qual poucas pessoas refletem, não importa a classe social: a noção de dinheiro e a noção de governo. Então decidi escrever um pouco mais sobre isso para (des)organizar minhas ideias controversas e receber críticas de leitores mais sabidos sobre o assunto.

Nascido e criado no Brasil, eu cresci ouvindo da família de classe média que eu deveria estudar — e muito — para poder ser alguém na vida. Enquanto isso, na TV, os jogadores de futebol que eram sinônimos de milionários. Mas não podia sonhar ser jogador de futebol — é ruim; eles não são estudados, são tão-somente sortudos. Mesma coisa com as modelos, que com suas curvas atraíam as centenas de milhares de reais cada vez que apareciam numa revista — “ah, mas quando ficar feia vai perder tudo”. Para os que estudam, por outro lado, só glória os aguarda: as melhores notas levam às melhores faculdades, que lhe dão os melhores diplomas, que lhe darão acesso aos melhores cargos — e sua vida está feita. Se for um concurso público melhor ainda, um salário alto, com estabilidade, e um trabalho tranquilo. Um direito atemporal concedido pelos esforços pessoais. Está errado. Nós somos recompensados exatamente pelo que produzimos. Se não é assim, trata-se de uma anomalia, a ser corrigida na velocidade típica do mercado capitalista. A linha que divide o rico do pobre é o entendimento profundo desse simples conceito. Diferentes lições do “pai rico e do pai pobre”.

Depois de ter trabalhado aqui e acolá com salários bem diferentes, e de conversar com amigos que trabalham desde em McDonald’s até nos grandes bancos de investimento, consegui refletir mais sobre como transformamos o mundo feudal no mundo onde banqueiros são remunerados literalmente mil vezes mais que vendedores de hambúrgueres. É fonte de muita discussão política cuja interpretação — ou seja, como o governo deve lidar com a distribuição de renda — lhe diz onde é seu lugar na reguinha que vai da esquerda até a direita. Mas os argumentos das pessoas de um lado ou de outro falam de dinheiro não como um conceito abstrato, mas uma coisa concreta: que uns possuem e outros não — é uma ilusão! Pode parecer óbvio para alguns, mas se o banco central decidir imprimir cédulas de reais, o país não fica mais rico, ninguém fica mais rico, só fica com mais papel colorido. Depois da segunda guerra mundial na Europa, a Alemanha estava devastada e “pobre”. Se ela imprimisse um monte de cédulas de marcos, no que ela seria mais rica? As pessoas ainda estariam nas ruas, sem casas, sem água, sem comida, só com uma pilha de papel que a gente chama “dinheiro”.

Over the rubble of war-battered Berlin, a father is carrying home a CARE food package that will relieve his family’s needs while they wait for better times.

O povo alemão voltou à vida “normal” — se assim posso chamar — apenas dois meses após o fim da guerra. Eles estavam desprovidos de dinheiro e de riquezas materiais, mas ainda assim não eram pobres. O país ainda contava com a riqueza mais importante de todas: o capital humano. A força e o know-how ainda presentes em cada indivíduo não perecido durante as sangrentas batalhas. Com o auxílio de uma ferramenta financeira chamada “empréstimo”, importaram matéria-prima, combustível, máquinas e alimentos para reconstruir rapidamente a grandiosa Alemanha — e olhemos onde ela está hoje. Assim, eles colocaram a máquina de produção pra funcionar e devolveram em forma de dinheiro alemão o “empréstimo” que receberam dos Aliados, mas dessa vez os papéis de dinheiro carregavam consigo uma promessa de retorno, seja carros, aviões, navios etc. Este é o verdadeiro valor do dinheiro. Com ele, se compra qualquer bem ou serviço feito através do tempo dedicado de um profissional especializado em fazê-lo. Repito: ele compra o trabalho e o esforço de pessoas.

Esse conceito é fácil de se entender se imaginarmos profissões mais básicas. Na alegoria do mundo pós-feudal, nós pagamos a um agricultor pelo seu esforço e paciência em cultivar e colher os vegetais que trazemos à mesa ao fim do dia. Entretanto, o entendimento vai ficando mais difícil à medida em que se aumenta a complexidade e a remuneração em questão. Tempo é dinheiro. Investimento de tempo é educação. Logo educação é um investimento em dinheiro: uma pessoa educada pode fazer coisas que uma leiga não pode. Bill Gates tem uma fortuna hoje de pouco menos de US$ 80 bilhões — mesmo depois de ter doado metade no passado — porque só ele consegue fazer o que fez: com a Microsoft, ele economizou e otimizou o trabalho de virtualmente todas as pessoas no globo que usam um computador. Quanto vale o trabalho dele? Quanto vale o seu trabalho, leitor? Quanto você está produzindo agora?

Eike Batista, Dilma Roussef e Sérgio Cabral.

Um caso brasileiro: Eike Batista. Todos o conheciam por ser o homem mais “rico” do Brasil (rico aqui no caso com mais dinheiro). Sua fortuna era avaliada em US$ 34,5 bilhões em abril de 2012. Dezoito meses depois, ele perdeu tudo — mais que tudo, pois hoje está endividado e seu arauto OGX pediu falência. Isso é o que acontece quando o capitalismo bruto e seco — nesse caso personificado pelos “investidores” — muda de opinião sobre o valor do trabalho ou do negócio de alguém, fenômeno conhecido como especulação. Para deixar claro o que aconteceu: seu trabalho nunca valeu US$ 34 bilhões, e ele sabia disso. Ele prometera uma extração de 750 mil barris equivalentes de petróleo por dia através da OGX, sua petroleira. Todo mundo acreditou, e, na promessa, deu o dinheiro necessário para o investimento num ato de pura especulação financeira. Até a presidente Dilma Rousseff acreditou. A ilusão desmoronou a grandes solavancos quando descobriram que ele só era capaz de extrair 10 mil dos 750 mil. A partir daí, ninguém mais acreditou nele. E o governo não pode ajudá-lo agora nesse momento de freio econômico. Eike cavou o próprio túmulo.

Os bancos de investimento hoje contratam jovens ambiciosos cujo único objetivo é basicamente estimar quanto vale o trabalho dos outros no presente e no futuro — uma informação muito valiosa no mundo de hoje, o que explica o salário e bônus astronômicos desse pessoal. Eles, mais do que ninguém, sabem o valor do dinheiro. Mas aparentemente “possuir” dinheiro não é sinônimo de conhecer seu valor. Eu fiquei chocado com o nível de ignorância das pessoas entrevistadas na reportagem da TV Folha intitulada A Copa VIP dos “yellow blocs”.

A Copa VIP dos “yellow blocs” — TV Folha

Eu prefiro acreditar que essas pessoas não obtiveram o dinheiro para pagar pelo preço da entrada desse evento VIP — em português mais chulo, filhinhos de papai. A experiência de ver o jogo na cobertura com coxinha de ossobuco, na minha opinião, não vale milhares de reais; é um péssimo investimento, como explica o playboy de azul, bancário de 27 anos: “Você paga muito, e tem um retorno muito baixo.” Hahahaha, impagável! E uma rápida pesquisa no Linkedin revela que esse jovem trabalha no Deutsche Bank como Relationship Manager. É mais RH do que banqueiro, então. Ufa! Por um momento confundi bancário com banqueiro. Acho que isso explica o mau uso dos seus jargões — “retorno muito baixo”. A Folha acertou lindamente na trilha sonora dos créditos: “Alô Alô Marciano”, de Elis Regina. Colo um trecho.

Cada um por si todo mundo na lona
E lá se foi a mordomia
Tem muito rei aí pedindo alforria porque
Tá cada vez mais down the high society

Enfim, pra evitar esse tipo de aberração, o próprio Obama, presidente dos Estados Unidos, insiste que suas filhas devem trabalhar ganhando um salário mínimo, ao menos por um tempo, para talhar o caráter. Ele coloca em palavras melhor do que eu: “Estamos procurando oportunidades para que elas sintam que ir trabalhar e receber o salário nem sempre é divertido, nem sempre estimulante e nem sempre justo. Mas é o que o nosso povo tem de enfrentar todos os dias.” Aqui na Europa, é muito comum testemunhar jovens universitários trabalharem como garçons ou caixas de supermercado para acumular dinheiro para a viagem de fim de ano. Não tem problema nenhum. A situação social é bem diferente da do Brasil, claro, mas esse exemplo ilustra um entendimento mais saudável do que significa dinheiro e como consegui-lo.


Sobre o salário mínimo. Se o salário é uma medida de apreciação do serviço de qualquer empregado, por que um empregador deveria ser forçado a apreciar qualquer trabalho, não importa quão ruim, com um salário mínimo? Sobrerremunerar uma atividade é desperdício de dinheiro, a princípio — parece uma ótima fonte de inflação. Nem eu nem você, se fôssemos empregadores, queremos pagar alguém mais do que o seu trabalho vale, não é? Eu exigiria no mínimo dar meu palpite sobre como deve ser o uso do dinheiro extra. Uma tal medida do governo — de nós — de responsabilidade para com os pobres deveria ser acompanhada de algum sistema de garantia de que a menos-valia não seria meramente desperdiçada por maus hábitos de consumo. Eu recomendo que o leitor assista a este curto vídeo fenomenal — com legendas em português — onde o economista, laureado Nobel, Prof. Milton Friedman responde à seguinte pergunta feita pelo estudante pera-com-leite:

“(…) Enquanto nós formos o governo do povo, e houver uma grande parte deste povo sofrendo, talvez seja responsabilidade desse governo do povo de ajudar. Minha pergunta é: quão livre são os pobres? Quão livre são os desempregados? Quão livre são as pessoas menos favorecidas? E, neste contexto, qual o papel do governo?”
Milton Friedman — Responsabilidade pelos pobres

Antes de comentar, gostaria de advertir que o vídeo foi gravado nos Estados Unidos da década de 70, uma época onde havia fortes problemas sociais em respeito à comunidade negra que podem parecer chocantes para os ouvidos de hoje, então cabe a nós o exercício de adaptá-lo aos tempos modernos.

Bom, o Prof. Friedman não respondeu à pergunta diretamente. Eu me incomodo com pessoas que repetem discursos sempre que aparecem em público e não estabelecem uma conversa franca e honesta. Mas isso não invalida o seu ponto de vista. Pra começar, ele já joga a granada ao dizer “o governo não tem responsabilidade alguma.” Como assim, Sr. Friedman? “As pessoas têm responsabilidade. Este prédio não tem responsabilidades. Você e eu temos responsabilidade. Pessoas têm responsabilidades.” O que parece ser brincadeira de significação de palavras, pra mim é super importante entender esse conceito de governo. O governo é feito de pessoas, e por mais que o leitor ache que as pessoas do poder são diferentes dele, pense novamente. Mesmo que você não tenha votado nelas, elas vieram da sua comunidade, fazem parte do mesmo povo, que incentivam e penalizam os mesmos delitos. A corrupção e o jeitinho brasileiro vêm de baixo pra cima. Nós temos a responsabilidade de discutir com nossos vizinhos, com nossos filhos e com os filhos dos outros como se eles fossem virar os políticos do futuro. Por isso exponho aqui meu raciocínio e minhas questões.

Em seguida ele fala de um xeque-mate dado pelo governo americano à qualquer chance de sucesso dos adolescentes negros do país — que aqui reinterpreto como sendo qualquer comunidade socialmente desfavorecida, favelados, camponeses, pobres e miseráveis em geral. Ao mesmo tempo em que o governo — ele usa o termo “nós” — privou esta comunidade de educação pública decente, de modo que eles adquirissem “produtividade”, ele ainda fez com que esta mão-de-obra fosse cara e inacessível para empregadores que quisessem contratá-la e treiná-la. Não é de hoje que a Apple Inc. exporta a mão-de-obra de produção para a China, enquanto fica com a maior mais-valia, dedicada ao processo de criação e design, ao mesmo tempo em que deixa pobres americanos desempregados. No Brasil, cada jovem que chega à fase adulta um analfabeto funcional — como os “yellow blocs” do vídeo — deveria ser tratado como caso de falha urgente. Alerta vermelho! De quem é a culpa do fato dessas pessoas terem miolos vazios? Não é da presidente Dilma, é nossa. É por isso que xingamento à presidente Dilma dói tanto no meu ouvido, está errado em mil formas diferentes. A presidente acorda todo dia com uma agenda definida minuto a minuto só com problema pra resolver. É o dia a dia dela. O tempo dela é tão valioso que pode até justificar o gasto com carros particulares e jatinhos, assim como alguns chefes de grandes corporações. Afirmo categoricamente que a maioria dos leitores não duraria um mês de pressão de vida de presidente. “Não concordo com o governo do PT”, falou uma senhorita do vídeo, advogada, “por isso tem de xingar mesmo.” É uma pessoa totalmente desprovida do conceito de lógica na cabeça, como confiar em alguém assim para preencher meus contratos ou me defender no tribunal? Se ela fizer algo errado, será que eu posso ir na sua casa e lhe mandar tomar no #$? Na frente da filhinha dela? Com o mundo filmando? Registrando para a eternidade? Não tem mais jeito, falhamos com esse ser humano.

Acho que tudo na vida deve ser analisado com proporção. Governar um país de 200 milhões de pessoas que produzem mais de US$ 2 trilhões de PIB é diferente de presidir uma pequena empresa ou ser chefe de família ou ser líder de qualquer coisa. Dois dos desafios da presidente atualmente, os mesmos apontados pelo Prof. Friedman na década de 70 vide vídeo acima, são a responsabilidade para com os pobres e a educação pública, mas essas são somente duas de centenas de questões a que ela e seus assessores precisam refletir e decidir diariamente.

O “governo do PT” levou à frente o programa integrado do Bolsa Família. Alguns números redondos: criado há onze anos; custa 0,5% do PIB, ou seja, US$ 12 bilhões; um em cada quatro brasileiros é beneficiado, ou seja, cinquenta milhões; 2,4% de irregularidades, destes, 89% corrigidos; segundo o Ipea, que não tem muita credibilidade ultimamente, cada real investido no Bolsa Família traz retorno de R$ 1,78 ao PIB. O programa também trouxe transformações sociais extensas, como conclui após anos de pesquisa em campo a socióloga Eleanora de Lucena. Em suma, o programa levou um senso de cidadania aos seres humanos nos rincões mais pobres do país; cortou o cordão umbilical que ligava as famílias aos “coronéis”; iniciou uma revolução feminista, pois deu mais liberdade financeira às mulheres oprimidas pelos maridos cabras da peste, levando a mais divórcios e à contracepção; e tirou o voto daqueles que o conquistavam em troca de alimentos e favores. Eu me entristeço em ouvir alguns comentários preconcebidos e cruéis de brasileiros que dizem que o programa nada mais é do que uma forma de assistencialismo descarado com único objetivo de atrair votos para o partido. Cada problema de uma vez, o sistema eleitoral é outra coisa. Eu estou feliz em dedicar 0,5% da minha produção pessoal aos menos favorecidos de forma sistemática e inteligente. É muito melhor do que dar trocados aos pedintes do semáforo, o que só ensina os valores errados sobre dinheiro. Aliás 1,7 milhões de beneficiados já saíram voluntariamente do programa por terem achado seus respectivos empregos. Observe os números de novo. São bons números.

Falando em números, eu leio e escuto muita bobagem sobre investimento público em educação. Um projeto de lei pedia investimento de 10% do PIB direto pra educação. Muita gente foi às ruas para apoiar a ideia. Esse é um número muito grande, mesmo. Este blogueiro, Reinaldo de Azevedo, influente, faz uma meia análise do tamanho do nosso investimento do PIB em educação, que é de 5,7%. Ele, assim como muitos outros analistas, alega que o valor não pode ser tão baixo pois países como a França, Holanda, Inglaterra e Estados Unidos estão na mesma faixa de investimento, mas tem resultados melhores no PISA. Convenientemente, como notado no primeiro comentário que eu li, ele esquece de informar que esses outros países tem um PIB per capita três ou quatro vezes maior que o nosso. Então o investimento por aluno é grosso modo três ou quatro vezes maior. Cavando um pouquinho no google, a gente até acha números interessantes. Este site no portal do governo nos revela um número importante. Basicamente, investimos ~20% de um PIB per capita por aluno até o ensino médio. Depois, o investimento passa a ser ~100% no ensino superior. Traduzindo, para cada estudante em universidade pública, existe o equivalente a uma pessoa trabalhando integralmente para fornecer-lhe esses estudos. E cada pessoa na média é responsável por cuidar da educação de cinco pupilos.

Mas o PIB per capita mede a produtividade do brasileiro médio, que no caso é quatro vezes menor do que a do estadunidense médio. Não é interessante pensar que o trabalhador médio deles conta como quatro do nosso? Esses números são ruins, mas também dá pra sentir isso quando se visita Nova Iorque, comparando com São Paulo. As pessoas lá são mais frenéticas e inteligentes, falam rápido e usam linguagem direto ao ponto, e estão sempre contando os minutos de almoço. No bullshit. É outra realidade, bem diferente das do “yellow blocs”. A verdade brutal é que o nosso governo — de novo, nós — não tem dinheiro suficiente para dar educação de qualidade europeia a todos os nossos pupilos.

O que fazer, então? Só sei que não vale culpar “o governo” — como se ele fosse uma entidade independente dotada de livre arbítrio — por algo que é na verdade de responsabilidade nossa. Se você vir alguma criança indo para o mal caminho, ajude-a; ou um vizinho negligente com a escolaridade dos filhos, ajude-o. Pelo menos é o que eu vou fazer. Acredito que se o nível de instrução e avidez de cada brasileiro triplicasse, certamente em pouco tempo o PIB per capita do Brasil também triplicaria quase instantaneamente. Tem causa e efeito aí: as pessoas iriam se organizar melhor, e iriam produzir três vezes mais.

Este ano é ano de eleição. Mas não podemos votar num candidato, dar dinheiro — ou seja, nosso trabalho — para seu controle através de taxas, e esperar quatro anos para ver se deu certo. Temos de participar mais ativamente da construção do nosso futuro.

O governo somos nós.

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