O choro de Valquíria

De um tempo pra cá, descobri várias formas de me conhecer através de ti.

Tenho descoberto que a paciência alimenta os anseios regados diariamente com leituras e ocupações racionais, como me amar antes de ti, antes de todos, antes do meu consciente.

Meu transeunte pensamento, de tanto navegar, se acalmou em um cais coberto e obscuro, mesmo com toda a magnitude que refletia de fora. Certa vez me vi angustiado, até que me pus pra fora do círculo luminoso que havia dentro de mim e pude ver com mais clareza e objetividade todo jardim que estava sendo construído ao nosso redor. E escolhi continuar regando diariamente, de tudo um tanto, tomei tento e fui. Devo dizer que aquela angustia me tirava da rotina da qual já fazia quase quatro tempos que eu havia me alimentado e que sem nem me dar conta, era um ciclo vicioso que supria minhas ilusões inconscientes até chegar ao meu consciente e brecar, pra poder dar partida do que eu realmente queria.

E me deixei levar sem idealizações, sem expectativas, apenas com tudo o que havia naquele momento: tudo e nada. Tudo o que tínhamos até ali e nada que eu pudesse esperar em troca.

Deveras, sempre houve uma dualidade que permeia por muito tempo. Há uma força que te puxa e uma que te empurra. Você decide, eu decido e tudo fica assim, cada um com o que lhe cabe. Essa característica é o que define em termos mais abrangentes de como cheguei até aqui. É como se um fosse o complemento do outro e o que me torna ser o que sou (nem sempre quem sou).

Parece confuso, mas talvez seja apenas uma metáfora ambígua, o jeito mais claro que achei de poder consignar as ideias de um jeito talvez abstrato, sem dar muito na cara ou parecer clichê, por um esforço válido, exercitar a memória criativa, fugindo do que talvez seja óbvio, nem que se pareça utópico.

Durante esse trajeto, muitas angústias vieram à tona, muito gozo foi transbordado. A tarefa mais complexa, foi me por pra fora daquele círculo luminoso e enxergar com nossos olhos o que talvez nós não tenhamos conseguido enxergar em tal consciência, apenas o subconsciente via, mas o consciente não entendia (ou não queria entender), tamanha teimosia.

Agora, que tenho eu a calma, fica expresso nosso sentimento nos quatro cantos do ar, do espaço e entre nós. E permeia a luta diária de manter o controle numa linha tênue do que se quer, aonde queremos chegar, como álibis sensatos, mesmo que em algum momento, estejamos em lados opostos, possamos ser sempre nós. Descobrindo vários formatos de me conhecer através de ti, sem dependência mútua, apenas com respeito e elegância.

Quando me calo, explode rios dentro de mim.

Se não transbordo, desce apertado.

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