Sucos

Bia vendia sucos.
João acordou com sede. Queria um suco desses que a Bia faz. Ou uma oportunidade de vê-la novamente. João estava desgraçado da cabeça, de verdade. Achou que ia levar o término numa boa.

Abria a janela de conversa de Bia toda hora. Fitava o celular, num misto de esperança, anseio, dúvida. Às vezes até sonhava em ver sua notificação favorita. Umas vezes lia as conversas e engolia o choro, mas nem sempre conseguia. Outras, até ensaiava puxar papo, mas não tinha coragem. Não sabia se era seguro. Ele sente uma falta do caralho dos pequenos hábitos. Passou a acordar mais tarde só para não engolir seco a vontade de mandar uma mensagem de bom dia.

Tentou tapar o buraco de várias formas. Primeiro, com bebidas. Chegou a suspeitar que estava alcoólatra, bebendo durante o expediente. Saiu, conheceu pessoas. Passou a maior vergonha de sua vida e se encheu de dívidas. Tentou projetar a imagem de Bia em outra pessoa. Quando se deu conta, se arrependeu. Pior coisa que fez, não recomenda a ninguém. 
Mas João sabe que o caminho que vem por aí é longo e uma hora as coisas se aquietam. Foi assim da outra vez…

A vida é isso aí e não adianta muita coisa. A gente tem que seguir em frente e fazer a nossa história, não é?

João pede para Bia ser feliz. Ele promete tentar. 
“Beijos, fica bem.”, ele deseja.

E assim vai.

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