Desafios numa tarde.

Nem todo mundo é forte.


“Equilibrado num balcão de boteco, converso abobrinhas com meu copo de cerveja. Até ele já não tem paciencia para minhas lamúrias, e sua temperatura deixa isso bem claro. Vou acompanhando a batida da guitarra do velho Muddy, enquanto penso em como sair dessa enrascada. Já estive em loucas sinucas de bico nas esquinas da vida, mas não como essa. Já apanhei da PM em protesto, fugi de marido traído, fui pra Argentina ver o Mengão jogar só com a roupa do corpo. Lembrei até daquele dia em que eu e o Bira brigamos na rua e levei aquela facada. Foi um dia trash, mas superamos numa boa. Hoje não. Hoje é o meu dia de dublê na cena perigosa. Meu dia de Willian Wallace. Meu dia de Mario no castelo fantasmagórico. Talvez hoje eu não volte vivo, mas quem quer viver vidinha de seriado pai-mãe-filhos? Se estou aqui, alguma merda tem que ser feita.

Só não sei qual…

Escuto a buzina lá fora. Deve ser o Lucas. Pois é… Vamos lá! É hora de vestir meu sorriso mais desgraçadamente cínico, e encarar tudo como uma grande piada de Deus.

E Deus vai contar essa piada na sala de casa.

Ele me odeia.

*Ele virou o resto da cerveja quente goela abaixo, arrumou o terno amassado e foi embora.

Era o dia do casamento da mulher que ele amava. E não era com ele… *

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