Behind the costume

Pra começar, eu gostaria de dizer que a única coisa que eu sempre quis foi ter voz. E continuo querendo. Não sei por que não consigo ser ouvido, não sei por que não me levam a sério e me infantilizam (ou eu mesmo deixo fazerem isso), não sei por que cheguei aos meus 22 anos e ainda sou mudo e inexpressivo (pelo menos em casa). O fato é que eu estou cansado! Atribuir minha imagem ao descaso, irresponsabilidade e imprudência não foi/é o pior, já que nunca quis ser o melhor. Mas sou forçado. O que me sufoca é a obrigação de ser um exemplo (ou até um mártir), sendo que nunca disse que queria ser ou que seria. Nunca gostei de brincar disso. Nunca quis ser alguém que não sou, apesar de ter vivido os primeiros anos da minha vida assim, envolto numa capa de vidro que me impossibilitava de ver quem eu era e de estar no lugar o qual pertencia. Quando a capa quebrou, eu fui tentando me achar, encaixar, adaptar e viver, porém existiu sempre um lado surreal que não me deixava a vontade. Um lado onde eu ainda tinha que usar a capa, um lado que me deixa incomodado e desencaixado, o lado mais escuro desse lado é o fato que era nele onde eu deveria repousar meu verdadeiro eu e me sentir seguro. Mas é dormindo na minha cama que eu tenho esse pesadelo, é onde eu vivo correndo da sombra de ter que me esconder. É assustador e sufocante, é desestimulante e triste. Eu só queria ser ouvido e entendido, sem ninguém duvidando de mim ou me “perseguindo”, ninguém condenando e tentando me derrubar pela simples necessidade de saciar o próprio ego provando estar certo. Eu não nasci pra viver com medo ou tendo que fazer as coisas forçado. Eu só quero alguém que não me aponte o dedo nem me acuse, só quero ser eu e me redimir de tudo o que eu pareço ser.

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