Spring Day

Luke
Luke
Sep 9, 2018 · 3 min read

Querido amigo, eu sinto sua falta.

E enquanto eu escrevo isso, sinto sua falta um pouco mais. Está frio aqui, sabia? O frio chegou assim você foi embora. Eu sei, uma terrível coincidência, mas eu sempre tive propensão a fazer muito drama. Lembro que isso te fazia rir.

Queria começar esta carta dizendo que estou bem, mas começaria mentindo. Eu não estou bem há treze dias, nove horas, quatorze minutos e dezesteis segundos. Foi a última vez que te abracei, no dia em que o trem te levou para longe de mim, naquela estação lotada. Eu sei que já não estava muito bem muito antes disso, mas foi neste momento que tudo piorou. Aquele trem levou meu coração embora.

Decidi que esta carta irá para o lixo como as outras doze que vieram antes dela.

Tenho usado este tempo para tentar refletir, e cheguei à conclusão que sou fraco. Veja bem, eu sinto sua falta, mas eu deveria apagar você, porque apaga-lo tecnicamente dói menos do que ter algum tipo de restentimento por você. Mas não consigo, então sinto sua falta enquanto fico restentido, mesmo que eu não deveste me sentir assim. A culpa de tudo foi minha, certo?

Deus, eu te odeio. Não deveria, mas te odeio. E desde que você partiu, não houve um dia em que eu tenha esquecido você. Não teve um dia neste inverno que eu tenha me sentido melhor. Talvez o inverno esteja dentro de mim, no fim das contas. Talvez o frio venha do espaço vazio que você deixou, e tudo o que eu precise fazer é dar um jeito de tapar este buraco. É uma tarefa impossível.

Uma parte de mim espera que você esteja melhor do que eu. Que esteja saindo, se divertindo, conhecendo gente nova. Deixando minha lembrança para trás. Com certeza isso é mais fácil de fazer estando em outra cidade, cercado de outras pessoas. Eu não tenho este luxo. Tudo aqui me faz lembrar de você. Cada passo que dou na calçada rachada, no banco da praça onde passamos incontáveis tardes preguiçosas, no vinho barato que carregava a nós dois madrugada a dentro. É como se você tiveste ido, mas ao mesmo tempo estiveste aqui.

Isso me mata.

Mas uma parte de mim (e eu não me orgulho do fato desta parte ser bem grande) espera que você esteja sentindo minha falta como eu sinto a sua. Uma parte de mim te imagina ao lado do telefone durante as noites de insônia, esperando que o celular faça aquele som familiar — você disse que meu contato tinha um som diferente dos outros, espero que isso não tenha mudado. Uma parte de mim espera que você também faça as mesmas perguntas que eu faço. Quanto tempo terei que esperar até que este inverno passe? Quanto tempo terei que esperar até que eu te veja de novo?

Não sei se está cedo demais, mas eu sei que vai passar. Pode demorar, mas vai este frio vai passar, e eu poderei me sentir aquecido de novo enquanto observo as flores desabrocharem, e então eu vou saber que mudei. O quanto eu terei mudado? O quanto você terá mudado? Seremos pessoas diferentes, você e eu. Talvez pudéssemos até tentar de novo. Talvez chegue um dia em que eu não sinta dor ao chama-lo de amigo. Talvez eu não precise chama-lo assim.

Nenhum inverno dura para sempre. E eu sei que os dias de primavera estão para chegar.

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    i live my life in bitterness and fill my heart with emptiness