
HEY, VOCÊ AÍ! Me canta uma marchinha aí…
Qual é a sua opinião sobre o assunto?
Recentemente surgiu uma discussão nos meios de comunicação sobre certa preocupação com relação à algumas marchinhas de carnaval serem consideradas machistas, racistas e homofóbicas.
Na realidade essas músicas se lidas e interpretadas da maneira correta, se você pesquisar o significado histórico e literal das expressões citadas, vai encontrar conteúdo preconceituoso sim.
Talvez quem escreveu e compôs essas canções não tinha a menor intenção de ofender, porque naquela época certas expressões eram muito comuns. Mas acontece que as coisas mudaram e diante de um cenário como o nosso, iniciativas com a intenção de desacostumar a população a usar palavras e expressões parecidas no dia a dia, podem contribuir para que a população passam enxergue o negro, o gay e a mulher de uma outra forma.
Eu já li e ouvi várias pessoas argumentando que as músicas são inofensivas, que é só brincadeira, que ninguém presta atenção na letra durante a folia. Mas se ninguém presta atenção na letra durante a diversão, qual é o problema em tirar essas músicas ou esses trechos de circulação?
O interessante dessa discussão é perceber que as características do outro não podem servir de muleta para que o meu ou o seu carnaval seja animado. Para um carnaval animado é necessário de boa companhia, ritmo musical da sua preferência, beijos pra quem faz questão, animação pessoal, enfim, não tem nada a ver com marchinhas.
Essa discussão não é nenhum tipo de proibição, alguns blocos optaram por tocar essas canções e se você faz questão de ouvi-las o que eu posso fazer é dar esse toque e sugerir, sinceramente, que reflita sobre isso.
Porque será que você faz tanta questão de chamar a mulher negra de mulata, falar que a cabeleira do Zezé define a orientação sexual dele, de apontar para o cabelo do outro que pra você não nega, de fazer da mulher seu objeto sexual? Reflita, mas reflita com vigor.
Mas não se assuste, ok? De preconceituoso e louco todo mundo tem um pouco. O negócio é trabalhar essa dificuldade e não esquecer que você não pode mais reproduzir essas expressões no dia a dia, seja numa conversa, num comentário nas redes sociais ou qualquer outro lugar.
Ninguém tem mais a obrigação de rir diante das ofensas, essa ideia de ir chorar em casa acabou, agora os grupos se ajudam, se falam, reagem de outra forma. Alias, pelo amor de Deus, não adianta falar que tem amigos assim ou assado, essa desculpa esfarrapada não cola.
Estamos em um momento em que tudo pode ser questionado. Na minha opinião, ouvir os questionamentos é uma questão de respeito. Se o outro não gosta ou se sente ofendido com determinado conteúdo, porque não tirar esse conteúdo do ar? Que tal, além de protegidos curtirmos um carnaval sem preconceito?
Ia ser bom, não é mesmo?
