Corpo condenado

Ao acordar lembro da noite passada
Como sempre, conversamos até cair no sono
mas diferente de outras noites, estávamos juntos
na mesma cama

Gosto de sentir o peso da sua cabeça no meu peito
o jeito que você se inclina para me olhar no olhos
Nessa mesma posição, dormimos

Assim que esses pensamentos se afastam
sinto que não foram só eles
Não sinto seu peso
seu calor
seu cheiro

Olho para o lado e você está lá
sem roupa
mas todo encolhido
quase como o feto

A sensação que tenho é que você se fechou para o mundo
um corpo fechado
imerso em seus próprios sonhos

Penso, novamente na noite passada
será que, no entorpecer do quase sono
falei algo que não devia?
Algo que fez você se fechar assim
pra mim, pro mundo

Sou tomado pela angústia
você, corpo fechado
eu, corpo condenado
jogado no meu lado da cama

Sinto um movimento
e todos os meus pensamentos ruins começam a se fragmentas
Ao ver seus olhos se abrindo
seu sorriso se abrindo
lembro de sua voz, e da sua fala recorrente:
você pensa demais…
E os fragmentos desaparecem

Do sorriso, vem a aproximação
você me abraça
me beija
e, de novo
a confusão dos corpos.

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