“O Truque de Hollywood”

O cinema e os efeitos visuais

Cena dos Bastidores de “The Jungle Book” — o diretor Jon Favreau contracenando com Neel Sethi

Os efeitos visuais fazem parte do cinema desde sua gênesis. De fato, pode se dizer que o cinema em si é um efeito visual. A própria imagem em movimento é o resultado de um fenômeno ótico cerebral chamado de persistência retiniana. O tempo que uma imagem fica retida na retina do olho humano é tão rápido que o cérebro precisa associar a imagem anterior com a subsequente para compreender o que está vendo. Graças a esse efeito visual, ótico cerebral, uma sequência de imagens estáticas com pequena amplitude de movimento do objeto retratado a uma velocidade média de 24 quadros por segundo, nos permite ver a imagem em movimento. Apesar de controversa essa teoria é bastante aceita, principalmente por ser a percepção não só resultado da visão, mas de um construção subjetiva de cognição cerebral.

“Cavalo em Moviento” — Sequência de imagens de Edward James Muggeridge

Mas muito além de um efeito ótico, os efeitos visuais, foram desde o princípio o que potencializaram o cinema, possibilitando que o simples registro do mundo cotidiano, se transformasse na própria criação de sonhos. Dos primordiais truques de câmera, com uso de espelhos, dupla exposição do negativo, truques de montagem, matte paint, blue e green screen, computação gráfica, cenários virtuais, captura de movimento, reconstrução fácil hiper real de atores, só pra citar uma infêma váriadade de efeitos visuais e sua evolução.

Hoje, grande parte dos filmes de Hollywood tem mais que a metade dos seus quadros com alguma intervenção digital, isso sem falar no processo de color correction que é inteiramente feito digitalmente. Mas muito além do que ser efeitos visuais de pós produção, como é comumente conhecida, uma quantidade cada vez maior de filmes tem sequências inteiras criadas digitalmente, inclusive a recriação digital dos protagonistas dos filmes.

No entanto, na contra mão do que deveria estar acontecendo, os estúdios e produtoras de Efeitos Visuais (VFX) e principalmente os artistas e profissionais desse setor de uma das indústrias mais lucrativas em escala global, estão, há alguns anos, passando por dificuldades financeiras. Em 2013, duas semanas antes de receberam o Oscar de efeitos especiais pelo filme Life of Pi, marco no usos de computação gráfica em uma narrativa dramática, a empresa Rhythm & Hues Studios, responsável pelos efeitos, declarava falência. O filme foi vencedor de melhor fotografia e Ang Lee foi premiado como melhor diretor. Em seu discurso de agradecimento, nem ao menos citou a equipe de efeitos visuais, responsáveis por possibilitar que sua visão fosse materializada. Mas do que uma gafe, foi um alerta de como a pós produção, pelo menos na maioria das vezes, é tratada em Hollywood. Não como parte criativa do filme, mas como uma etapa técnica, feita posteriormente, em pós produção. Claro que existem exceções e alguns estúdios e principalmente diretores, utilizam da tecnologia, assim como o pioneiro Méliès, transformando os efeitos visuais na produção cinematográfica em si.

George Méliès contracenando com sua “cabeça” — O Homem com a Cabeça de Borracha (1901)

“Hollywood’s Greatest Trick”, documentário dirigido por Ali Rizvi e Sohail Al-Jamea, abordam as condições de trabalho e os conflitos que existem na industria cinematográfica entre os grandes estúdios de Hollywood e os estúdios de VFX. Essa discussão veio a tona com o documentário de 2014, “Life After Pi”, que apresentou esse conflito tendo como enfoque principal a história da falência da Rhythm & Hues Studios. Três anos depois e com o aumento exponencial do uso de efeitos em filmes, essa relação parece estar longe de ser resolvida.

Hollywood’s Greatest Trick

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