Haveria caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil?

Propor caminhos para o combater a intolerância religiosa, sobretudo, no Brasil, é uma tarefa complexa. Em um ambiente onde cada religião considera-se o único caminho verdadeiro, em detrimento das demais, torna a questão problemática. A intolerância tem a ver com presunção de verdade, e em nome dessa verdade, tem-se legitimado ódio e violência ao diferente. Esta é, certamente, uma das pautas mais delicadas a ser discutida. Representa, hoje, um dos problemas mais nevrálgicos, em que o fanatismo religioso tem instaurado verdadeiras guerras.

Na Palestina, por exemplo, os judeus e muçulmanos carregam uma longa história de desavenças politico-religiosas. Outro grande conflito, também por questões religiosas, ocorre entre os grupos islâmicos sunitas e xiitas. No Brasil, não diferente, as desavenças se acirram entre os evangélicos e as religiões não cristãs.

No antigo Israel, especificamente, no séc. I, havia uma gama de facções e grupos político-religiosos, judeus, divididos por pensamentos e ideologias distintas, e tinham inúmeros conflitos no momento em que surge Jesus Cristo. Os judeus, por exemplo, odiavam os samaritanos e os samaritanos odiavam os judeus. A intolerância de alguns desses grupos, os cegaram de ver e reconhecer Jesus como o Messias, e, mesmo apesar do que Jesus ensinou, foi morto pela mão e pelos pés da intolerância.

Pode-se dizer, então, que estamos ante a uma questão histórica. E que necessita, urgentemente, ser problematizada.

Vivemos num tempo em que o desrespeito tem criado e fortalecido as situações de caos e violência, em decorrência das divergências dos grupos religiosos, assim, ofendendo, à liberdade fundamental de cada pessoa.

A Constituição da República Federativa do Brasil, em seu art. 5º, inciso VI, preceitua que é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. De igual modo, o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, veda, em seu artigo 2º, primeiro parágrafo, a discriminação por motivo de religião.

Fato é que nada parece aplacar o solo árido do campo religioso, nem as iniciativas de diálogos inter-religiosos, nem mesmo os estatutos que regem as ações e os comportamentos sociais que preconizam a liberdade individual de consciência e de crença. Haveria, então, algum caminho que amenize está realidade?

A história de Jesus nos propõe um caminho que o mesmo trilhou em sua trajetória terrena e, que ao olhá-la, é possível perceber a maneira como ele se comportou frente aos diversos grupos religiosos existentes em seu tempo. Nunca perseguiu ninguém e nem mesmo reagiu com ódio aos questionamentos e as perseguições que sofreu. Antes, Jesus pediu que sequer reagissem quando fossem perseguidos (Mateus 5.10–12; 10.17–23; 23–29–36; Marcos 13.9–13). Nesta mesma direção, Pedro, também nos ensina: “Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês, pois o Espírito da glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vocês (1Pedro 4.14).

As palavras de James Leo Garret Jr, também nos sugere uma reflexão: “A base da liberdade religiosa se demonstra pelo simples fato que Cristo não veio com esplendor celeste e majestade humana para subjugar qualquer possível resistência e obrigar a todos à sujeição. ”

Dito isto, concluo que, subjugar o outro à nossa crença e/ou desrespeita-lo é não garantir o nosso estado democrático de direito, além de ferir e comprometer as relações humanas. É necessário problematizarmos urgentemente está pauta, antes que percamos, de uma vez por todas, o rumo.

Renan Telles

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