A era pós-storytelling

Um dia a gente acorda e se dá conta que ficamos tanto em nossa bolha e não vimos o que realmente importa para as pessoas.

imagem: reprodução/ Jornal O Globo

Se pudermos traçar uma linha imaginária entre eras, podemos definir um presente e um breve futuro para analisarmos. Se elaborarmos um paralelo, conseguimos chegar em um ponto crucial para a existência de uma marca condizente com seu tempo: o fato de que as pessoas não se interessam mais por qualquer "historinha" pra vender e, no caso de um futuro breve, deixarão de acreditar ainda mais. Deixo aqui meu beijo para o storytelling.

Veja bem, não acredito que o storytelling morreu. Pelo contrário. Assim como diversas outras coisas, ele precisou ganhar uma ressignificação, até porque tava puxado, né?! O storytelling como técnica de propaganda para estruturar uma campanha e/ou uma peça sempre será bem-vindo por aqui, já aquele maléfico word cheio de palavras escritas por homens brancos, cis e héteros que contam "histórias para inglês ver", esse sim, perdeu, tá com as horas contadas.

Isso porque a internet, cumprindo seu papel mais nobre que é o da democratização das informações, além de trazer voz e vez, expôs muitas verdades sobre as pessoas, as figuras públicas e as marcas. Estamos cansados de ver empresas que apoiam a causa feminista com um ínfimo cargo de funcionárias mulheres em seu board e com poucos funcionários gays. Isso porque citamos minorias que ganham cada vez mais representatividade e nem falamos sobre a causa trans — que estão lutando para encerrar o ensino médio com dignidade.

Storytelling x Storyreal

Esse movimento é o que traz às marcas o conceito de ESTAR. ESTAR no presente e ESTAR a cada agora, como uma surpresa. ESTAR junto, pensando, andando, falando, se posicionando com as pessoas. É delicado? Muito. Mas quando encontramos algo real, em que o engajamento sobrepõe aos números e o cerno da marca é moldado por esse novo modus operandi, a gente encontra nossa turma, claramente entendendo nosso lugar de fala.

O que quero que entenda é que as pessoas estão ligadas quando algo é "dito por dizer" e quando é realmente verdadeiro. É deixar de SER para ESTAR.

Close errado

No último dia 28 de julho, dia internacional do orgulho LGBTQ+ a gente acompanhou um close erradíssimo da Coca-Cola. Vi muita gente compartilhando a ação da latinha personalizada (feita internamente para um número pequeno de pessoas para que viralizasse sem gerar grandes custos) que, acumulam dois problemas:

  1. piada é velha e cafona
  2. não adianta fazer bonito no Facebook se, na vida real, você apoiou a campanha de Eduardo Cunha

Esse é o tipo de coisa que não dá mais!

Não quero dizer que as marcas não podem errar, muito pelo contrário. Os tempos mudaram, as discussões surgiram e, sobretudo, as pessoas à frente das marcas e agências são outras. Mas, enquanto marca, antes de se posicionar assim, livre-se desse passado sendo honesto e justo (vide ação close certo da Skol).

E se as marcas não entenderem a importância desse Storyreal por bem, que entendam por números:

95% das pessoas não comprarão marcas ou produtos que, de alguma forma, desrespeite a diversidade

79% afirmam que não aceitam calados qualquer tipo de preconceito na comunicação

54% da população brasileira se declara negra e a propaganda encara isso como nicho, segmentação

70% dos brasileiros afirmam que propaganda que ridicularizam homossexuais estão ultrapassadas

Ainda temos muitas questões a serem discutidas, mas partimos de algum lugar. Esses números acima, de uma pesquisa da Locomotiva, mostra um mercado ávido por uma nova propaganda ou alguma outra coisa. O Grand Prix de Titanium em Cannes nos mostra que estamos trabalhando nesse sentido, mas há muito assunto pra desenrolar.

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