A ROBOTIZAÇÃO DO HOMEM

Na última semana, eu estava saindo da fila do buffet do restaurante que frequentemente almoço, e ouvi uma mãe, que me pareceu, diga-se de passagem, uma ótima mãe, comentando com seu marido, ou pai da criança, que pensava em trocar a escolinha do filho, pois na nova escola a criança teria aula de inglês, espanhol, francês, além de outras matérias que, segundo ela, eram muito mais interessantes do que, nas palavras dela, “ficar apenas brincando, como a ela brinca na escolinha atual”.

Confesso que já admirei tal iniciativa, afinal não tive isso na minha infância. Entrei com 5 anos no jardim, ou seja, até meus 5 anos de idade, eu “apenas brinquei”. Isso não significa que enfrentei problemas no aprendizado, bem pelo contrário, aprendi a ler antes de entrar na escola. Hoje vejo crianças entrando em escolinhas, antes dos 2 anos. Isso me gera um certo espanto. Afinal, será que elas precisam se tornar fluentes em inglês antes dos 10 anos? Pegando esse gancho, resolvi compartilhar um TED, de um brasileiro chamado Guilherme Lito, que eu quase tive a oportunidade de conhecer (quase, porque quando ele veio participar de um evento da UCS — Universidade de Caxias do Sul — ao qual eu também havia sido convidado a participar, estava em viagem), que fala exatamente sobre esse processo de robotização do ser humano.

Nesse TED, nem tão recente assim, o Lito fala sobre os problemas de uma geração que, nos últimos 50 anos, criou mais conhecimento do que na soma dos anos anteriores. Boa parte desse conhecimento, é aplicado a tecnologia. A minha geração, os “oitentista”, devem lembrar que nascemos em um mundo analógico e nos vimos obrigados a transitar para o mundo digital. A geração, que eu costumo chamar de “geração sopra fita”, (quem nunca soprou um cartucho de Mega Drive ou Super Nintendo e ele milagrosamente voltou a funcionar?), precisou se adaptar ao tal “admirável mundo novo”. Mas será que esse tal mundo é tão novo assim? Será que não estamos apenas repetindo antigos padrões, mas agora com a tecnologia como nossa “aliada”?

SERÁ QUE NÃO ESTAMOS APENAS REPETINDO ANTIGOS PADRÕES, MAS AGORA COM A TECNOLOGIA COMO NOSSA “ALIADA”?

Veja o ensino, por exemplo. A criança entra com o seu “HD zerado”, pronta para absorver o que a escola tem para ensinar. O colégio, por sua vez, vem com todos os programas de sempre para serem instalados (geografia, matemática, história, etc…). Os professores, são os responsáveis por instalarem tais programas nos HDs dos alunos. Não só isso, eles fazem testes (provas), para ver se os programas foram bem instalados e, caso tenha ocorrido alguma falha de instalação, os alunos são enviados novamente para mais uma tentativa (repetência). Aliás a escola é muito similar a uma indústria. Tem horário pra entrar, horário pra sair, horário de intervalo para refeição, subordinação, falta de autonomia, linha de produção de ensino, enfim… não podemos ir no banheiro sem a “benção” do professor. As similaridades são tantas que, como diz o futurista Tiago Mattos, da Perestroika, o que deveria estar escrito no verso do diploma, tanto escolar quanto da graduação é “Parabéns, você está apto para trabalhar em um indústria”.

Mas esse método, na opinião de especialistas no assunto, e que eu compartilho de boa parte delas, está entrando em colapso. Já existe um grande movimento de desescolarização da sociedade (procurem por Guto Thomaz e Ana Thomaz no Youtube). Como o Lito diz em seu TED, quando nos questionam sobre o que somos, costumamos responder “engenheiros, designers, médicos, etc…), mas na verdade nós não somos isso. Nós estudamos isso, mas não somos isso. Nenhum médico nasceu médico. Nenhum designer nasceu designer. Nenhum engenheiro nasceu engenheiro, ou seja. nós nascemos sendo nós mesmos, até que nossos queridos pais, na maior da boa vontade, mas na pior estratégia possível, nos questionaram “O que seríamos quando crescermos”. A partir desse momento, a criança começa o afastamento do SER e passa a acreditar que ela é aquilo que a rotula: A sua profissão. Existe um sábio, que uma vez disse que “Quem se define, se limita”. E eu acredito fielmente nisso.

O Guilherme defende que para mudar o nosso mindset, devemos quebrar alguns paradigmas já impostos pela sociedade. Um dos, senão o pior, é que os fins justificam os meios (alguns defendem a ideologia do Nazismo, por exemplo, mas os meios utilizados, foram de uma crueldade que jamais será apagada da nossa história). Lito diz que o valor está no processo, na caminhada, e não no fim, no resultado, afinal, será que é possível prever algum resultado em um mundo liquido e efêmero como o nosso? O valor está no hoje, somente no hoje. No agora! Dentro desse conceito, fica claro que o maior projeto de vida somos nós mesmos. Poucos estão dispostos a isso, pois parte de um processo de auto conhecimento, que por sua vez pode ser muito doloroso, mas que é fundamental para que possamos viver a melhor versão de nós mesmos.

Como disse Gandhi, “Não há caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho”. Na minha opinião, só é feliz aquele que se conecta profundamente com o seu SER. Aquele que se permite acessar a sua essência e descobrir o seu propósito, aquilo que faz a sua alma brilhar, para então colocar a sua energia e o seu coração em prol dessa missão de vida.

“Não há caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.

— Mahatma Gandhi

Recomendo MUITO que assistam o TEDx do Guilherme Lito, tem em torno de 15 minutos, mas vale cada segundo investido.

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Desejo uma semana inspiradora a todos vocês!

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