Mudar

A tarefa mais árdua que todos nós, mais cedo ou mais tarde, acabamos enfrentando. Queiramos ou não, esse inevitável processo acontece e abala as mais sólidas das certezas que carregamos. A nossa evolução depende disso. Nosso desenvolvimento intrapessoal e interpessoal também. Mesmo cientes dos ganhos desse processo, ainda assim relutamos contra. Afinal, por que é tão difícil mudar?

Alguns dizem que a fruta não cai longe do pé. Outros afirmam que assim nasceram e assim morrerão. Muitos utilizam o “eu sou assim e ponto final” para encerrar uma discussão desconfortável a respeito de mudanças. De fato mudar é um processo doloroso. Desconheço alguém que se sinta confortável ao sair da sua zona de conforto. Aliás, não vejo problema algum em querer ficar na sua zona de conforto, contato que ela te faça bem. Que não seja uma zona de lamentação, de acoitamento, de coitadismo.

Dizem que só mudamos na dor ou no amor. Eu discordo em partes desse dito popular. Acredito que a mudança só é perene, duradoura e plena quando ela acontece a partir do autoconhecimento. Esse, por sinal, é o primeiro passo para a autocorreção. Mudar pelo amor e/ou pela dor, significa mudar por algo, ou por alguém. Corrigir-se a partir da auto-observação significa mudar por si mesmo. Eu de verdade acredito nisso.

Mas quantas vezes mudamos, mas não mudamos de verdade? Sabe quando mudamos alguns hábitos, mas logo em seguida voltamos com os antigos e prejudicais hábitos? Por que isso acontece?

Acredito que toda ação é consequência de um sentimento, esse por sua vez é consequência de um pensamento, que é consequência de uma crença. O que eu quero dizer com isso? Que jamais mudaremos nossos hábitos, ou seja, nossas ações, sem trabalharmos as nossas crenças. Por que acreditamos no que acreditamos?

CRENÇA > PENSAMENTO > SENTIMENTO > AÇÃO > RESULTADO > CRENÇA….

Essa é a grande pergunta a se fazer. O nosso cérebro vai fazer de tudo para que a gente valide uma crença que carregamos, seja ela positiva ou limitante. Apenas com um trabalho profundo de auto-observação, de autoconhecimento, é que vamos compreender de onde vem os nossos valores, crenças e ideais. Somente dessa forma podemos iniciar um curso de autocorreção. Se assim desejarmos, é claro.

Para mudar é preciso questionar. Para questionar é preciso estar disposto a baixar a guarda. Compreendermos que somos seres em construção e que está tudo bem se mudarmos de ideia. Aliás, mudar de ideia é o que nos faz evoluir. Desconfio daquele(a) que afirma que “eu estou bem do jeito que estou” que “já sabe de tudo” que não está disposto a mudar. Para mim isso significa medo. Sim, medo de se conhecer de verdade. De viajar profundamente para dentro de si.

Mudar exige muita humildade e vontade. Humildade para reconhecer esse espaço de evolução que todos nós carregaremos até o último dia de nossas vidas. E vontade para ir em busca dessa evolução. Dessas mudanças.

A pergunta que fica dessa reflexão é: será que estamos dispostos a abrir mão daquilo que acreditamos para nos tornar aquilo que desejamos? Te questiono: você está disposto(a) a deixar de ser quem você é para se tornar quem você quer ser?

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