SEJA ILUMINADO

Tiago Guerra
Jul 26, 2017 · 3 min read

Era uma vez um menino, um menino crescido na cidade e que aprendeu a se encantar com o Natal, assim como a maioria das crianças. Este menino acreditava no poder das luzinhas que piscavam no Natal. Dizia ele que o piscar das luzes atingia as pessoas e que em função do piscar, sempre na época de Natal as pessoas eram tão boas e legais. Relevavam desentendimentos, auxiliavam uns aos outros e sempre estavam dispostas a ajudar. Após o Natal, iam-se as luzes piscantes e junto delas ia a boa vontade da maioria das pessoas.

Este menino, em determinada época do ano, fez uma viagem da escola para conhecer uma tribo indígena. Lá, se encantou com o mundo diferente dos índios e de tanto aproveitar sua estadia na tribo, fez um amigo. Tão logo corriam juntos de um lado para o outro, o menino espantou-se com tamanha presteza de seu novo amigo índio. Ele auxiliava a todos, não media esforços para agradar quem estivesse por perto. O menino não entendia como o indiozinho pudesse se comportar daquela forma sem ao menos uma luz piscante por perto.

Enorme era sua curiosidade e não se contendo indagou seu amigo:

- Como pode você ser tão prestativo sendo que não há luzes piscantes por aqui?

O indiozinho respondeu com outra pergunta:

- O que são luzes piscantes?

Eis que o menino respondeu: — Luzes piscantes as pessoas usam na época de natal para enfeitar as casas e os pinheirinhos. Todo ano, quando as luzes piscantes aparecem as pessoas se tornam boas e legais como você é, entretanto, aqui não há luzes piscantes.

O pequeno índio respondeu:

— Uhmmm, sei o que são. Já vi quando estive em uma cidade próxima a aldeia.

Ainda, o indiozinho logo entendeu o entendimento de seu amigo sobre as luzinhas piscantes e a bondade das pessoas. Por mais que não haveria relação nenhuma entre essas coisas, o indiozinho resolveu aproveitar a situação para ensinar ao amigo algo que seu avô(que fora Cacique da tribo) lhe ensinara. Assim, indagou o amigo:

- Aqui na aldeia também temos luzes piscantes!

O menino espantado, respondeu: — Tem? Como assim? Onde? Nem ao menos estamos em época de Natal.

O indiozinho respondeu:

— Vamos esperar mais uns minutos que vou lhe explicar.

Assim, como já estava entardecendo, em questão de instantes tomou-se de estrelas o céu. Eis que ele fala ao amigo: — Olhe para cima, está vendo as estrelas?

Eis que ele responde: — Sim, vejo as estrelas. O que tem elas?

O indiozinho então explica:

— Na verdade o que tu chamas de estrela são luzes piscantes espalhadas pelo céu.

Dando uma grande gargalhada o pequeno menino responde ao indiozinho: — Isso não é verdade. Estrelas não piscam.

O indiozinho responde:

— Tens certeza? Tu já paraste para contempla-las?

Seu amigo responde: — Claro, olhe para cima, são apenas luzes. Não piscam.

O indiozinho então deitou-se ao chão e convidou o amigo para deitar-se ao seu lado. Assim, logo foi dizendo:

— Olhe para cima, esqueça tudo a nossa volta. Olhe realmente para as estrelas. Contemple-as.

E em questão de poucos minutos o menino fala exaltado:

- Sim, eu estou vendo, estão piscando. Como pode isso acontecer? Nunca piscaram antes.

O indiozinho responde, aproveitando a ocasião para ensinar o amigo:

— Apenas poucas pessoas escolhidas conseguem ver que as estrelas na verdade são luzes piscantes. A partir de agora meu caro amigo, tu fazes parte deste pequeno grupo de pessoas que estão iluminadas pela magia do Natal o ano inteiro, uma vez que todos os dias quando olhares realmente para cima verá as luzes piscantes que transformam as pessoas em pessoas do bem. Toda a vez que tu veres uma pessoa do bem, saberá que ela também é uma das poucas escolhidas e que ela assim como tu agora, sabe que as estrelas na verdade são as luzes piscantes que nos transformam.

O menino, voltou para a casa no outro dia feliz da vida.

Havia ele compreendido porque algumas pessoas eram tão queridas mesmo após o natal passar. Ele agora sabia que algumas pessoas, capazes de enxergar as luzes de natal piscando o ano todo no céu, são transformadas pelo sentimento do amor divino e pela gratidão da vida eterna.

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