Dá tempo pra tudo

Sempre fui obcecado por medir tudo. Acho que por isso virei economista. Quando criança media os passos até chegar a padaria, os fuscas no caminho até a serra, a quantidade de figurinhas repetidas que eu tinha e mesmo o número de livros que meus pais tinham no velho apartamento. Fui me profissionalizando nisso: camisetas de time, botões, agulha no palheiro… tudo virava número, mas ultimamente… passei dos limites.
No estágio do Banrisul eu contava a quantidade de checklists que eu poderia fazer em um dia, não sossegava enquanto não passasse a meta humana diária. Não bastava ter sido analista de vendas depois e controlar até a gasolina que os vendedores usavam vs. trajeto, previsão de demanda, realizado vs. previsão e assim por diante.
Mudei novamente de ares, e lá estava eu medindo a performance de cada departamento da empresa, traduzindo em Painéis de Indicadores os resultados encontrados por cada área e até por cada pessoa. Virei um maníaco dos números e da gestão a vista, mesmo muitas vezes estes não mostrando o que estivesse nos melindres da realidade.
Foi então que eu me passei. Criei uma agenda com a brilhante consultoria dos queridos Claudio Levitan (que por mais de 25 anos criou e desenvolveu o método) e Lucas Levitan. A primeira vez que eu a vi, sabia que ia mudar tudo. Nada que saísse do normal das agendas, fora que esta contempla além do que foi planejado também o que foi realizado e te um apelo visual forte. Análise preditiva Mensal, Semanal, o que acontecera em cada dia e depois uma reflexão básica da semana e do mês. Contempla ainda alguns aspectos que quero fortalecer no mês, divididos entre trabalho, pessoal, criação, formação, produção, esporte, viagens e etc.
A grande sacada é que esta agenda é feita por mim e para mim. Ela não é uma agenda que se compra, é uma agenda que se “desenha” e assim se consegui materializar o tempo. Dá tempo pra tudo! Só preciso elencar as prioridades.

Tive que aprender a me organizar na marra, hoje cuido de vários negócios diferentes, cada um me demandando mais ou menos tempo e no fim dos três primeiros meses tenho resultados surpreendentes (ou não tanto para mim).
Trabalhei cerca de 530 horas (mais do que devia e menos do que precisava), que perdeu somente para dormir, que foi a única coisa que eu fiz absolutamente todos os dias mesmo que com uma média inferior a 8h. Nestes 90 dias socializei com amigos em mais de 50% dos dias, convivi com a família em pelo menos 15 ocasiões, me capacitei cerca de 70h, fiz exercício em 12% dos dias, tive tempo ainda de namorar muito, fui a mais de 12 shows, gastei pelo menos 40h em cafés e ainda consegui viajar cerca de 12 dias.
Se não fiz tudo que eu queria, agora ao menos sei o que quero fazer mais e o que quero fazer menos. Estes três meses serviram como um teste fantástico para encontrar a minha maneira de utilizar meu tempo. Agora vou voltar para fazer o resto da minha agenda, materializar meu próprio tempo.
Convido vocês, dá tempo pra tudo.
