3. Antes de virar um educador de Futurismo, é preciso estudar/viver o Futurismo.

*Terceiro post da série ‘Cuidados Para Se Ter Com Futurismo’.

Moon Ribas: mais do que pensadora, uma experimentadora de tecnologias.

Imagino que, se você está aqui, é porque leu os outros dois textos da série.

Tudo começou no dia 23 de Dezembro de 2015, com o post ’10 Cuidados Para Se Ter Com Futurismo’. Ele explicou o porquê da série e já aproveitou para refletir sobre um tópico que acho fundamental. Antes de falar de Futurismo, é preciso ter um entendimento do que é Futurismo.

Pouco antes da virada do ano, escrevi um segundo post, falando de como, no Brasil, Futurismo é quase sinônimo de Singularity University — e como essa monocultura é extremamente perigosa.

Inclusive, terminei com um grande dica. Converse sobre Futurismo com gente que estudou na Singularity. Mas converse, também, com quem estudou em outras escolas que não a Singularity.

E tudo isso serviu como preâmbulo para minha terceira postagem.

Espero que gostem.

***

“Dez Cuidados Para Se Ter Com Futurismo”

3. Antes de virar um educador de Futurismo, é preciso ouvir/viver o Futurismo.

Nick Bostrom, no TED: uma das referências mundiais sobre Futurismo levanta a hipótese de vivermos numa simulação.

Tenho uma crença.

Acredito que os espaços de aprendizagem (tradicionais e não-tradicionais) devem estar, como o próprio nome diz, atentos à aprendizagem dos participantes.

Se você está preocupado em compartilhar porque você quer falar, talvez você nem devesse aceitar o convite.

Afinal, você está olhando mais para si do que para o outro.

Por isso, acredito que o condutor de um workshop/curso/disciplina deve ter, antes de tudo, dois cuidados:

  1. Noção da responsabilidade que está assumindo ao se colocar no papel de educador.

2. Ao seguir em frente, essa pessoa deve dominar minimamente o assunto.

(Aqui, vale abrir parênteses, porque esse minimamente é quase que literal. Cá entre nós: quando o assunto é Futurismo, qualquer um costuma ter muito mais perguntas do que respostas.)

Dr. Daniel Kraft: um showman quando o assunto é Futurismo na medicina.

O ato de encarar um público apenas com conceitos inacabados, e sem um mínimo de repertório, não me parece maduro.

Se uma das responsabilidades do bom Futurista é a tradução, você precisa falar fluentemente pelo menos duas línguas — a do Futurismo e a do não-Futurismo. Senão, a condução pode levar para entendimentos superficiais, vagos ou até equivocados.

No final das contas, o prejuízo ficará com quem é mais iniciante: a audiência.

Será que o público não está pagando um preço alto pela sua vontade de falar?

Vale a reflexão.

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Pense comigo: uma boa palestra pode mudar a vida de um, dois, três, de todo o auditório. Pode inspirar, tranformar e mudar o nível de consciência das pessoas.

Mas uma palestra ruim também.

Uma informação equivocada, um dado errado, um exemplo mal colocado: tudo isso pode ter um impacto gigantesco na vida de pessoas que nós nunca mais vamos ver.

E se elas carregarem isso como verdade pelo resto da vida? Será que não vale um cuidado mínimo?

Aula do Prof. Tali Tishby: Computer Vision através de Deep Learning.

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Então, se você quer se tornar um educador de Futurismo, eu teria duas dicas.

A primeira é fácil: estude. Estude bastante.

A segunda é um pouco mais complicada: viva o Futurismo. Não seja o teórico do futuro que vive no passado.

Vejamos:

Uma coisa é estudar sobre realidade virtual.

Outra coisa é estudar e usar, regularmente, realidade virtual.

Outra coisa é estudar, usar e fazer experiências em realidade virtual.

Outra coisa é estudar, usar, fazer experiências — e depois refletir sobre o futuro da realidade virtual.

Você concorda que a distância entre o primeiro e o último é gigante? Eu também.

Para mim, o Futurismo só começa a ficar verdadeiramente interessante quando chegamos nesse quarto ponto.

É por isso que insisto na palavrinha que já repeti mil vezes nesse texto: se você quer ser um educador, é preciso responsabilidade.

Reportagem de 2015 que conta um pouco dos nossos experimentos em VR e educação.

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Como você deve ter pecebido: acho que a combinação entre teoria e prática é uma busca interessante.

Claro: há ótimos Futuristas que possuem experiência só num dos dois campos.

Mas os mais incríveis, os que mais admiro, são justamente que não estão nem tanto ao céu, nem tanto à terra.

Ou melhor: que estão com um pé em cada um.

Neil deGrasse Tyson: astrofísico e cosmologista que assumiu o lugar de Carl Sagan na nova versão da série ‘Cosmos’

Portanto, aqui fica meu conselho. Ou, como coloquei no título: aqui fica meu cuidado.

Antes de virar um educador de Futurismo, é preciso ouvir/viver o Futurismo.

As pessoas que respeito e admiro na área agem assim. E é por isso que eu também sigo esse caminho.

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Mas não me entenda mal.

Não quero, com isso, desestimulá-lo a falar de Futurismo.

Pelo contrário: se você quer se tornar um educador nessa área, eu serei o primeiro a ajudá-lo.

Eu, ao lado de sete vencedores do Nobel, no TIP/Israel: ao total, pudemos ouvir e interagir com outros sete.

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Agora: eu sei como é. Eu sei que, na prática, é bem diferente.

Porque, quando temos contato com Futurismo, a gente fica pi-ra-do.

As ideias são tão disruptivas, a excitação é tão atordoante, e a sensação de eu sei algo que ninguém sabe é tão intoxicante que tudo o que queremos é chegar em casa e dividir isso com o marido, a esposa, o namorado, a namorada.

Acredite em mim. Eu entendo. Juro.

Já passei por isso.

Mas se você leu este post com atenção, deve ter entendido que uma coisa é esse papo mais informal. Outra é subir ao palco, em meio a embriaguez Futurística, para dividir suas ideias sem essa maturidade mínima.

É esse risco que estou tentando evitar.

Mural do Museu de Israel: reflexões sobre o Futuro estão por todos os lados.

***

Portanto, o grande conselho que reservei para este post é: calma.

Se você quer ser um educador sobre Futurismo, primeiro estude sobre Futurismo.

Viva Futurismo.

Dê tempo ao tempo.

Processe a informação.

Crie o seu ponto de vista.

Entenda o tamanho da responsabilidade.

Aprenda fazendo — suje as mãos.

Se tudo isso ainda fizer sentido, aí sim: vá em frente.

Anotações da aula da Prof. Karine Nahon, autora do livro ‘Go Viral’: quem gosta de ensinar tem que gostar de aprender.

Até o próximo post.

Beijos, abraços.

Tiago.

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