TIP15 / Primeiras impressões.
Existem cidades e cidades.
Jerusalém pertence ao segundo grupo.


Jerusalém já viu de tudo. Bizantinos, persas, romanos, babilônios.
Jerusalém vê de tudo. Cristãos, armênios, judeus, muçulmanos.
É difícil, muito difícil reproduzir o mashup étnico da Terra Prometida. Não apenas pela mistura em si. Mas pelo componente histórico.


Uma cidade que é sagrada para três religiões deve ter alguma coisa de especial.
Ou você acha que tanta gente estaria errada?


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Toda essa heterogeneidade certamente serviu de inspiração para o TIP15 — Trans-disciplinary Innovation Program. Projeto ambicioso da Universidade Hebraica que tem como objetivo ser, num curto prazo, referência mundial em Futurismo, Bioengenharia, Robótica, Big Data, Computer Vision e Empreendedorismo.


Talvez você ache o plano utópico.
Mas quando se trata de Israel, meu amigo: melhor não duvidar.
A própria Universidade Hebraica tem um histórico que recomenda respeito. Entre seus fundadores estão Albert Einstein e Sigmund Freud.


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Muitas pessoas ficaram intrigadas com o meu interesse pelo TIP. Lembro, por exemplo, da reação de alguns amigos quando compartilhei a notícia da minha aprovação.
O pessoal primeiro torceu a boca para a direita e, quase ao mesmo tempo, levantou a sobrancelha esquerda.
De onde você tirou essa ideia, Tiago?
Perguntas como essa me perseguiram nos últimos meses. Esse TIP é bom?Como você ficou sabendo? Israel é referência em futurismo? Depois de três meses de Singularity, você tem o que aprender por lá?
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Três coisas me seduziram de cara.
Primeiro: a possibilidade de dar continuidade aos estudos da Singularity. Acredite: não é fácil encontrar um curso de Futurismo. Mesmo nas escolas mais reconhecidas do mundo, os programas ainda falam muito do que é novidade no presente — e pouco do que está por vir.
O programa divulgado pelo TIP indicava menos 2015 e mais 2020.
Segundo: a informação que chegou a mim dava conta que o TIP era a seleção mais difícil do mundo fora dos EUA.
Um rumor desses faz as ações do TIP subirem. (Falando em rumor: agora, que entendi como funciona a seleção, pretendo investigar melhor essa história. Não quero passar adiante uma informação errada.)
Por quê? Porque em programas assim, os participantes têm a possibilidade de interagir com colegas tão brilhantes quanto os professores. (Esse foi, sem dúvida, um dos maiores ativos que eu tirei da Singularity.)
O que tenho a dizer até agora? Pouco. Foi apenas uma semana de convivência. É difícil tirar qualquer conclusão.
São muitos backgrounds diferentes (médicos, neurocientistas, investidores, matemáticos, físicos, economistas e vários programadores — alguns mais focados em cybersecurity, outros em machine learning, outros em artes digitais).
São muitas as nacionalidades (metade da turma é de estrangeiros — gente da China, África do Sul, Nepal, Inglaterra, México, Índia, Croácia — a outra metade é formada por Israelenses).
É esperar para ver.


Terceira e última: os Prêmios Nobel. Sim: pela primeira vez na história de uma instituição de ensino, os alunos teriam a possibilidade de ouvir e interagir com vinte vencedores do Prêmio Nobel.
Zhores I. Allferov (Physics, 2000), Sidney Altman (Chemistry, 1989), Robert J. Aumann (Economic Sciences, 2005), Elizabeth H. Blackburn (Physiology/Medicine, 2009), Aaron Chiechanover (Chemistry, 2004), Steven Chu (Physics, 1997), Sheldon L. Glashow (Physics, 1979), David J. Gross (Physics, 2004), Roger D. Kornberg (Chemistry, 2006), Harold W. Kroto (Chemistry, 1996), Michael Levitt (Chemistry, 2013), Roger B Myerson (Economic Sciences, 2007), Stanley B. Prusiner (Physiology/Medicine, 1997), Richard J. Roberts (Physiology/Medicine, 1993), James E. Rothman (Physiology/Medicine, 2013), Dan Schechtman (Chemistry, 2011), Randy W. Schekman (Physiology/Medicine, 2013), Thomas C. Südhof (Physiology/Medicine, 2013), Arieh Warshal (Chemistry, 2013) e Yuan T. Lee (Chemistry, 1986)
Isso bastou para mim.
Porque se o item um e o item dois são subjetivos, o terceiro não é.
Não sei de você. Mas eu nunca tive a pretensão de conhecer um Prêmio Nobel.
Imagine vinte.
De uma vez só.
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Uma coisa é certa: apesar dos professores e palestrantes de dimensão internacional, o TIP15 é uma aposta. De todo mundo que está envolvido.
Minha inclusive.
O próprio diretor do curso admitiu: esse é um projeto piloto.
Em nenhum momento eu coloquei altas expectativas no TIP. Pelo contrário: um dia antes das aulas começarem, eu estava de sangue doce.
E depois de ouvir um discurso oficial, admitindo o caráter experimental do programa, ele continuará bem doce.
Sendo uma aposta, estou preparado para todos os cenários. Dos mais intoxicantes aos mais epifânicos.
Pode dar errado? Pode. Pode ser frustrante? Pode. Pode ser a pior experiência da minha vida? Pode.
Mas melhor errar tentando.
Agora, sou um otimista. Sopre essa nuvem preta para bem longe.
Quando se trata de experimentalismo, meu foco está na metade cheia do copo.
Pode ser inesquecível? Pode. Pode ser transformador? Pode. Pode ser a coisa mais legal que já fiz na vida? Pode.
Só o tempo dirá.
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Sendo uma primeira edição, e uma primeira edição assumidamente artesanal, acho completamente injusto comparar o TIP com a Singularity.
Quando participei da SU, os caras já tinham rodado pelo menos três ciclos de GSP (2009, 2010 e 2011), além de algumas edições do curso executivo.
É tempo suficiente para recolher feedback e apertar os parafusos.
O TIP nasceu oficialmente há uma semana.
Eu sei, eu sei. As comparações serão inevitáveis.
Mas quando elas vierem, farei o possível para ajustar pesos e medidas.


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Conheci o projeto através de Elishai Ezra: Pink e Cérebro desse plano ambicioso.
Elishai foi meu colega de Singularity em 2012 e, sem dúvida, é uma das pessoas que tenho como referência em futurismo. Um cara que flerta com a genialidade (não é exagero, confie em mim). Cursou três faculdades completamente diferentes (engenharia elétrica, biologia e filosofia) e recém finalizou seu phD em Bioengenharia.
Elishai compartilhou a novidade no grupo de Facebook do GSP12.
Meu olho brilhou na hora.
Apesar da amizade, e da tentação de usar o poder político, fiz o processo como manda o figurino. Nada de atalhos. Preenchi o formulário, enviei currículo e aguardei ansioso.
O resto você já sabe.
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O título desse post – Primeiras impressões – talvez dê a ideia de um relato sobre o conteúdo.
Era a ideia original.
O problema é que, quando comecei a fazer o resumo da semana, percebi que o texto ficaria muito longo.
Talvez faça mais sentido reunir tudo num segundo post, focado apenas nas aulas.
Desculpa a propaganda enganosa.


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Mas para vocês não ficarem sem nenhum tipo de conteúdo:
Compartilho um vídeo mostrado logo no nosso primeiro encontro sobre bioengenharia.
Elishai apresentou um conceito que venho tentando assimilar há muito tempo. (Parece que, agora, eu finalmente entenderei.)
Estamos falando de nanorobôs construídos a partir de origami de DNA.
O nome assusta.
Mas as possibilidades (principalmente em termos de saúde e longevidade) que nascem junto com essa revolução são animadoras.
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Para fechar, deixo um beijo enorme para a Candi, que veio junto comigo e passou as últimas duas semanas aqui. Neste sábado, ela voltou ao Brasil.
Esse período juntos tornou a transição muito menos traumática.


Em breve conto mais. Juro. Por Deus.
Seja qual for a religião.
Beijos, abraços.
tg