Beija-Flor
Quando penso em Deda vejo um beija flor, um minúsculo beija flor, que indiferente a sua própria beleza, pulsante, radiante, conforma-se em buscar as flores, concretizando sem saber, o próximo resplandecer de um magnífico jardim.
Alheios, nós, meros observadores, não imaginamos, desprezamos que a intensidade daquele vigor, daquele bater de asas, abrevia sua vida. Ele talvez saiba, mas afinal, onde estaria à beleza de renegar seus propósitos, sua missão de vida?
Embora não queira aceitar, acredito que deve ter sido isso que aconteceu com nosso Líder, a intensidade dos seus sonhos, desejos, lutas e sua guerra em busca da realização de ideais, a gentileza e delicadeza das suas poesias, levou ele antes do tempo.
O Tempo. Talvez do nosso tempo, da sua companhia, tenhamos, de fato, sido privados. Mas não da história. Muitos irão repetir ao longo de gerações que nosso o guerreiro deixou um legado, que não é mero legado, e não pode ser resumido a detalhes insignificantes, como realização de mandatos, mas de uma mudança radical na forma de entender política e de ter sonhos. Sonhos. Afinal, o que era Deda senão a concretização de um sonho? Do nosso sonho, de nossa luta.
Como deve ser difícil lidar com essa responsabilidade. Como deve ser difícil ser fiel depositário do sonho de cada um dos milhares de eleitores que a ele confiaram seus sonhos.
Como o ser humano é mau, não em sua essência, mas na intransigência e na falta de compreensão. Ele não pediu nada de mais, nem paciência, apenas compreensão.
Compreensão. Companheiro, como você deve ter se sentido incompreendido. Quantos dias foram direcionados a essa causa tão nobre, ao tempo que te furtávamos da companhia da sua família. Quantos telefonemas te tiraram do sossego do lar ou das descontraídas brincadeiras com a prole, quantos passos, quantos sorrisos, quantas fraldas…
Desculpa. Não fomos tão bons quanto você. Nossa incompreensão certamente é aceita com a ingenuidade de um menino. Um menino, de espírito jovem e feito de Sonhos. Confesso. Confesso que me arrependo. Peço desculpas, menino, guerreiro, companheiro. Por vezes, não compreendi você. Não entendemos que seu compromisso é com o bem maior, com o sonho. Peço desculpas por não poder ter lhe agradecido, por tudo que você fez e por quem foi.
Mas do céu, ao ajudar os anjos com seus discursos, lembre-se do Beija Flor, e que, como ele, você fez a sua parte.
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