Inspirado em Mandela

Atribuem aos Celtas uma parábola muito interessante que fala sobre um sapo e um escorpião. Contavam que, durante uma forte chuva, um escorpião precisou atravessar o rio a fim de salvar sua vida. Logo, ele encontrou um sapo e pediu ajuda para realizar seu intento. O sapo, temeroso, hesitou em carregar o escorpião até a outra margem. “E se você me picar?”, questionou. “Morremos os dois”, afirmou o escorpião. Resoluto, o sapo decidiu ajudar o escorpião. No meio do rio o escorpião desferiu uma feroz ferroada no sapo, condenando-os a morte. Então o sapo pergunta: “por quê? Por que você fez isso?”, e o escorpião responde: “Desculpe sapo, não consigo me conter, essa é a minha natureza”.

Natureza. Será que estamos fadados e resumidos à essência de uma natureza confusa? Ou a verdade está nos ensinamentos da relatividade de nosso amigo, de língua para fora, Albert Einstein. Quem sabe a verdade de nossa natureza esteja definida nos versos Pablo Neruda “A verdade é que não há verdade”. Singelamente acredito que a verdade é um estranho mestre dos disfarces, molda-se de acordo com a perspectiva pessoal e resulta em uma estranha coincidência, proporcionando ao pecador um argumento. Todo político é corrupto. O Brasil é um País fadado ao fracasso. São todos aproveitadores. Nenhum político presta. Verdade? Moldamos a verdade, o tempo todo, se não de forma consciente por uma força incondicional de sobrevivência: a nossa versão.

Confesso. Minha inocência inata não permite que eu me torne refém de uma mera opinião, do eterno fla-flu do ódio político. Nossa história demonstrou, sim, que a humanidade muitas vezes tendência a violência, crueldade. Diversos relatos, estudos, parábolas, demonstram e ressaltam que a natureza é um pretexto para desvios de conduta inaceitáveis. Sejam esses desvios singelos furtos, por querer ter a propriedade, estupros, por querer ter o corpo, ou corrupção, por se achar mais virtuoso e merecedor. Mas confesso, eu confio na humanidade.

Alvíssaras meu Capitão General, eu confio na humanidade. Confio no Beija Flor, confio na solidariedade. Acredito em um futuro mais justo e, por que não, humano. Acredito em uma política diferente, em novos paradigmas. Acredito em um político que anda de ônibus, conversa com as pessoas, respeita horário, é atencioso. Acredito em um futuro humano, não humano que nem um chimpanzé, que humilha o mais fraco, mas humano que nem um bonobo, que ajuda seus semelhantes, sem disputas, sem brigas e sem propriedade. Aquele que é nosso parente mais próximo na natureza.

Acredito! Com toda a força do meu coração eu acredito. Acredito, acredito e acredito que o exemplo, que a luz, de grandes líderes vai guiar nosso caminho, que o nosso Mandiba irá inspirar o surgimento de novos políticos, políticos do povo, humanos, solidários e cidadãos que serão guiados por exemplos. Exemplos retirados das virtudes daqueles que outrem fizeram a diferença, que governaram, como diria Rui Barbosa, sem sorrelfa, sem socapa, sem zombares de nossa elevada prosopopeia de cidadãos dignos e honrados. Eu acredito.

Tiago Nunes de Oliveira

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