A política da prudência e o perigo da política como esperança

Tiago Noronha
Sep 8, 2018 · 2 min read

O filósofo Francisco Razzo escreveu um belo livro sobre os perigos da política como esperança. Na obra o autor mostra o quanto a mentalidade humana “gosta” de ser totalitária. Sempre quando um governo chegou ao totalitarismo foi com uma “boa” ideia na tentativa de resolver alguma coisa. Eis o grande problema.

Defender ativamente um político ou partido implica em assumir o ônus de o defender sempre, mesmo quando ele está errado. Eu acredito que há duas formas de fazer isso: a) sendo moderado e discordando de forma respeitosa sem lhe tirar todos os méritos ou b) sendo radical e defendendo-o a qualquer custo. Quem escolhe a alternativa “b” geralmente é aquele que possui a política como esperança. Que acha que vai mudar e que mudar exige o preço que for, ainda que seja uma incoerência.

Por outro lado, existem os que são mais “puristas”. Sempre acham que os políticos que estão no páreo não são os melhores. Nunca encontram um ideal pragmático. Às vezes isso leva o purista também ao radicalismo, pois o faz achar que nenhuma opção é boa o suficiente e isso pode não levar a mudança nenhuma ou a continuação do domínio dos piores.

Conservadores concordam que “política é a arte do possível”. Se é a arte do possível, significa que não é suficiente e nem redentora. Que ela nunca vai resolver todos os problemas. E, principalmente, que ela possui um limite chamado “impossível”. Essa é a mentalidade que diferencia um conservador de um revolucionário. O conservador não acredita em mudanças radicais; o revolucionário acha que pode mudar o mundo através da política. O conservador não é um reacionário, mas é alguém que acredita na política como uma possibilidade, ou seja, como uma arte do possível. E nada mais.

Russel Kirk resume o espírito conservador como a política da prudência. Não é reacionário, pois também aceita mudanças, desde que sejam as “possíveis”. Não é revolucionário, pois sabe que toda revolução traz consequências desastrosas de quando se tenta alcançar o impossível.

Por fim, o conservadorismo não é uma ideologia. Não possui um profeta e nem um livro com leis. É mais um estado de espírito. É saber que tudo tem limites e a melhor opção é sempre não ultrapassá-los, porque política como esperança só resulta em totalitarismo.

Tiago Noronha

Written by

Cristão, consultor de negócios, pós-graduado em Marketing pela FGV e pós-graduando em Teologia Sistemática pelo CPAJ.